Uma das maiores crises do século 21 é a questão dos refugiados. Mais de 68 milhões de pessoas estão fugindo por causa de guerras, distúrbios civis, violência étnica, estupros, fome, seca etc. A Síria pode ser o centro sangrento da crise global, mas se estende a lugares como Mianmar, onde a maioria da população se esforça para limpar o país de uma minoria desprezada, e a Venezuela, onde a escassez de alimentos e outras perturbações econômicas fazem a população clamar por necessidades básicas e segurança. Só esse ano, um total de 42,213 refugiados entraram na Europa através do mar mediterrâneo, segundo a organização Mundial responsável dos refugiados.
Os dados da Polícia Federal apresentados nos jornais nacionais e internacionais indicam que no total, 33.866 pessoas solicitaram o reconhecimento da condição de refugiado no Brasil em 2017. Os venezuelanos representam mais da metade dos pedidos realizados, com 17.865 solicitações. Esse é um grande sinal de um país acolhedor e solidário, que deve ser imitado por outros.
A maioria das respostas aos problemas dos deslocados refere-se ao alívio de curto prazo e às necessidades físicas e básicas: comida, água, cuidados de saúde e abrigo temporário. No entanto, as necessidades vão além das provisões diárias. A verdade é que refugiados e migrantes experimentam o deslocamento total de suas comunidades e redes de apoio quando forçados a deixar suas casas. Muitos refugiados no mundo passam longos anos no exílio, dependendo das distribuições de alimentos nos campos, conquistando uma existência como estrangeiros à margem da sociedade nos países de acolhimento, incapazes de voltar às suas pátrias e às vezes mal recebidos no dia a dia, durante muitos anos.
Todos os elementos à disposição da comunidade internacional indicam que a questão de refugiados continuará a marcar o nosso futuro. Algumas pessoas consideram o fluxo dos refugiados como uma ameaça, mas há pessoas com boa vontade de mostrar-lhes solidariedade. Alguns conservadores cristãos argumentam que os refugiados entram no país ilegalmente, sem levando em conta que o asilo é um direito humano, e cada um numa situação como essa pode percorrer. E esquece que a lei não é o único juiz da moral, há muitas leis injustas. É impressionante e ao mesmo tempo chocante, quando uma nação que se considera cristã, decide inventar leis que dificultam a entrada dos refugiados. Alguns meses atrás, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, ao justificar essas medidas, disse que aplicar as leis é uma recomendação bíblica, mas o que ela não reconhece é que a Lei de Deus na Bíblia sobre a emigração e dos refugiados é clara: devemos aceitá-los. Infelizmente, há muitas pessoas especialmente cristãs que ainda se negam a acreditar nisso. A única solução em minha opinião é procurar saber o que é viver como um refugiado. Um pouco de empatia mudará a mentalidade. São seres humanos como nós. O que faríamos se estivéssemos na mesma situação? Os refugiados estão fazendo justamente a mesma coisa, que você faria se sua família estivesse em perigo. O que será a resposta dos cristãos a Deus no dia do juízo quando Ele perguntará, "Como trataram os seus irmãos e irmãs refugiados"?

JACOB YEBOAH, diácono na paróquia Cristo Bom Pastor, em Londrina

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