A questão dos problemas de trânsito
Das duas reportagens publicadas neste Jornal sobre o trânsito de Londrina, extrai-se que a atual administração da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização pouco fez no setor, e que grandes soluções não estão programadas. Todas as propostas do diretor de trânsito desse órgão se estribam em desculpas, como a escassez de dinheiro, sabendo-se que falta também um consistente e racional projeto de reformulação do sistema viário. As obras não precisam ser feitas de uma vez, mas por partes, e pode-se realizar também competentes improvisações. Causou estranheza ante a busca do repórter a resposta da Prefeitura de que o prefeito prefere não se manifestar (sobre as questões do trânsito). Se a questão não lhe fosse pertinente, o chefe do Executivo poderia se recusar a um pronunciamento, mas nunca com relação a um problema de sua alçada. O diretor afirma que o número de mortes por acidentes de trânsito, em Londrina, caiu. Já a Companhia de Trânsito da Polícia Militar mostra um aumento. Só os casos fatais de atropelamentos deram um salto de 65%. Se há grande número de motoristas imprudentese a abusados, o poder público não fica atrás quanto ao ritmo lento para melhoria de alguma coisa no trânsito. O diretor da CMTU fala bastante em sistemas punidores, como os anunciados 45 novos pardais multadores. Interessante que, para isso, há perspectiva de dinheiro, assim como para implantar semáforos desnecessários, como os da rotatória da Avenida Rio Branco. E ali as coisas ficaram piores e o apregoado benefício ao pedestre não aconteceu. Semáforos idênticos (e também desnecessários) existem na rotatória central da Avenida Higienópolis, e também ali o pedestre não tem sinal para ele. Já na rotatória do centro da cidade não há sinaleiro, e por isso os motoristas param diante de um pedestre. Nunca aconteceu nesse local um acidente. É o sistema melhorando a qualidade do condutor de veículo. Na grande maioria dos cruzamentos de Londrina não há sinalização eletrônica para as pessoas que andam a pé. Tomemos um exemplo aleatório: a esquina das ruas Pará e Rio de Janeiro. Pela função dos semáforos que contemplam a máquina mas não a pessoa que caminha se o sinal fecha de um lado abre do outro e os carros nunca param. No quadrilátero, o pedestre poder cruzar com segurança em duas passarelas, mas nas outras duas nunca. É também por isso que pedestres morrem atropelados. Na cidade inteira é assim, porque, afora dois ou três pontos, não há vez para o caminhante. Pelas declarações do diretor de tráfego da CMTU, não existe dinheiro para nada, permitindo fazer-se a analogia de que só existiria verba para a manutenção dos empregos do setor. Não há um ponto de sua entrevista a este Jornal em que ele fale positivamente. Tudo é estamos pensando, não dá, apesar de não custar muito, não foi possível, realmente nos atrasamos por falta de recursos, este é um processo demorado, ainda não começamos, e por aí em diante. E lá se vão cinco anos! O diretor fala dos pontos problemáticos mas não (parodiando Dadá Maravilha) dos
solucionáticos. Culpa a velocidade (o que de fato é um problema), mas se os sinaleiros fossem plenamente sincronizados, em percursos longos, a velocidade se manteria regular e constante. A CMTU atribui todos os males ao condutor do veículo e pensa em puni-lo mais e mais, por via dos pardais mas nunca ao sistema, que é de sua atribuição. O sinal anda fechado demais para o andamento de obras de melhoria do sistema viário que, no mais dos casos, dependem menos de dinheiro e mais de decisão e de poder de arrancada.





