Se há que regulamentar ou não a atividade dos ''guardadores'' de carros, nas ruas de Londrina projeto já aprovado em primeira discussão na Câmara de Vereadores é preciso o poder público encontrar uma solução para esse transtorno. Porque a maioria dos que assediam o motorista para cuidar do carro abandonam a guarda logo depois e vão embora. Mas não é essa ''quebra de acordo'' o problema e sim a obrigatoriedade de pagar e a ameaça que muitos desses guardadores fazem, se houver recusa ou reação ante a alta quantia pedida. Em Londrina, diante de casas de espetáculos noturnos, a prática converteu-se num verdadeiro assalto. Uma repórter deste jornal teve o carro roubado diante do Teatro Marista e na mesma noite outros dois veículos tiveram o mesmo destino, naquele local. As suspeitas pesaram sobre os ''guardadores'', pois eram apenas eles que estavam ali. Então, além de não guardarem, eles podem ser exatamente o contrário: os que roubam o veículo. A idéia do autor do projeto na Câmara, vereador Felix Ribeiro, é que esses guardadores que atuam geralmente depois das 17 horas, quando os guardas-mirins vão embora sejam cadastrados e trabalhem uniformizados, sob supervisão da Prefeitura.
Algo deverá ser feito, e a idéia de profissionalização pode funcionar, mas será preciso severa fiscalização para, inclusive, evitar disputa de área e conflitos violentos entre grupos, porque os tais ''guardadores'' não são pacíficos. Tanto que, muitos deles, riscam o carro diante do proprietário, sem o menor temor, caso ele se recuse a pagar o preço. As mulheres são as maiores vítimas. A situação, se é caso de Polícia, não o é na prática porque os policiais nem podem estar presentes em todos os pontos, especialmente nos fins de semana. A regulamentação pode criar nos próprios guardadores cadastrados os policiais do sistema, mas o custo dessa ''tarifa'' teria que ser definida pelo poder público.
Um caminho é que tal guarda deveria ser feita por empresas concessionárias, que se encarregariam de manter os cuidadores e pagaria seguro em caso de dano ou roubo. Se isso ocorre com os estacionamentos, pode ocorrer também com o sistema que se quer implantar e que deixaria de ser assistencilista e passaria e ser profissional, mediante responsabilidades. Porque sem segurança tudo continuará na mesma. Se o usuário do veículo paga, precisa ter garantias. A idéia da Câmara é um primeiro passo, e se quem tem carro é obrigado a submeter-se a tantos encargos não bastassem os impostos que já paga então que se regulamente mais essa cobrança, para ao menos eliminar o transtorno das ameaças a que é submetido pelo ''delito'' de sair com o carro à noite e estacioná-lo em local público.

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