A questão do lixo
No momento em que Londrina respira confiança, otimismo, esperanças e a necessidade de tomada de decisões importantes, dentre tantas uma com certeza merecerá atenção especial da administração, que é a questão do lixo, pois resulta em busca de qualidade de vida da população.
O ser humano estabeleceu que lixo é qualquer tipo de resíduo sólido que não tenha mais nenhuma utilização tanto funcional como estética. No entanto, com os avanços tecnológicos e o surgimento de novas necessidades das atividades humanas, necessário se faz uma concepção atualizada do lixo como uma massa heterogênea de resíduos sólidos que podem e devem ser reciclados e parcialmente utilizados, gerando, entre tantos benefícios, a proteção à saúde pública, a economia de energia e a preservação de recursos naturais e ambientais.
Estando a administração discutindo e formatando o processo licitatório que escolherá a empresa para executar os serviços inerentes à limpeza pública, o que com certeza deverá ocorrer antes do término do contrato vigente, evitando a necessidade de ocorrer uma contratação temporária via regime de emergência que não traria nenhum benefício para a administração, quero colaborar especificamente no aspecto do tratamento e destinação final do lixo, após ter acompanhado reportagens a respeito, com opiniões contundentes para a geração de energia através do aproveitamento do lixo.
É de conhecimento público que nossas autoridades responsáveis pela geração de energia constantemente têm expressado preocupação a respeito. No entanto, em nenhum momento cogitou-se de extrair energia do lixo e tampouco se incentivou tal iniciativa.
O momento é muito importante, e deverá decidir-se pela alternativa que seja tecnicamente viável e financeiramente possível. Acreditando na capacidade da atual administração, e com intuito de colaborar, quero expor uma sugestão que atenda ao binômio viabilidade/possibilidade, que é a reciclagem e compostagem do lixo domiciliar.
Todo o processo se inicia na reciclagem do lixo, quer seja através da coleta seletiva ou de outras maneiras de ação, mas que são de suma importância tanto no aspecto ambiental como social, pois se cria condições de geração de empregos, direta e indiretamente através de associações, cooperativas, parcerias etc., e se viabiliza o surgimento ou ampliação de indústrias que terão nos materiais recicláveis a sua fonte de matéria-prima. Concretamente, existem projetos de fabricação de telhas com papéis reciclados de grande aceitação no mercado, provocando diminuição no uso de telhas de amianto que comprovadamente é cancerígeno e tóxico.
O agente poluidor do lixo é a fração orgânica que representa em média 65% na sua composição, e são estas matérias que produzem o chorume que é uma substância altamente poluente, chegando a ser até 10 vezes mais poluente que o esgoto domiciliar.
Mas felizmente existe uma solução comprovadamente eficiente que é o processo de compostagem, o qual transforma estas matérias em composto orgânico, que poderá ser utilizado em quaisquer tipos de aplicações, tais como horticultura, fruticultura, geração de grãos, parques, jardins, geração de mudas, recuperação de solos esgotados, controle de erosão etc.
Esperamos que a administração de Londrina decida adotar uma solução que seja segura e eficiente, e que não sejamos campo e experiência de projetos que podem até dar certo futuramente, mas sobre os quais nada existe que comprove a sua eficiência e resultados no País.
Por isso, esperamos que a decisão seja pelo tratamento através da reciclagem e compostagem, aterrando tão-somente o que por enquanto não puder ser reciclado ou reaproveitado, norteando-se sempre pelo binômio da viabilidade técnica/possibilidade financeira.
- GLADISTON GOUVÊA é administrador de empresas e consultor na área de tratamento e destinação final de resíduos sólidos em Londrina





