A chuva abundante que cai sobre a região, depois de um prolongado período de estiagem, é ótima para a agricultura e a pastagem, mas com o tempo fechado o aeroporto de Londrina não opera. Aviões não pousam, e mesmo sendo possível a decolagem, as normas não a permitem, pela eventual necessidade de o aparelho levantar vôo e ter de pousar imediatamente por algum problema técnico. Cada vez que esse transtorno ocorre, volta-se a lembrar da não-existência do ILS, como é conhecida a sigla do Instrumental Landing System, que possibilita operações mesmo com o tempo fechado.
Durante mais de 20 horas sem subidas e descidas, passageiros estacionados ficam estressados e naturalmente indignados. Alguns, com viagens marcadas para o exterior, perderam os vôos de conexão e declaravam haver perdido o dinheiro das reservas de hotéis. Gente de fora, especialmente executivos, diziam não entender como uma cidade do porte de Londrina, com uma estação de passageiros funcional e uma pista em excelente condição, ainda não dispõe daquele equipamento. A mesma pergunta é feita por todos que viajam e já enfrentaram problema idêntico. A resposta está na negligência das autoridades e das lideranças políticas de Londrina, que não se mobilizam e deixam o problema se arrastar.
Os prejuízos são grandes, para os usuários e para a cidade, ferida também em sua imagem porque isto representa uma marca de insuficiência e pode inclusive prejudicar projetos de investimentos de fora. Este é um detalhe relevante e um peso negativo no ranking da cidade e da região. A questão implica em desapropriação de áreas próximas da pista e tem a ver com negociações que não se concluem. Se impasses existem, eles precisam ser superados, a menos que já esteja decretada a falência do poder público e do entendimento. O problema aí está, e a solução não ganha empuxo e não decola. Quantos maus tempos e quantos transtornos ainda serão necessários para dar um fim a esse drama?
Se as autoridades públicas não conseguem resolvê-lo, as lideranças comunitárias e regionais precisam mobilizar-se e bater às portas daqueles a quem compete dar andamento às negociações e, afinal, instalar esse aparente monstro de sete cabeças denominado ILS. Se muitos querem saber por que Londrina perde pontos em excelência, uma das respostas está nesse imobilismo com relação ao aeroporto. Há nebulosidades que precisam ser dissipadas e a opinião pública nunca sabe ao certo onde o impasse se situa. Certo é que ninguém está se mexendo com o empenho devido.

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