A questão da venda da Sercomtel Celular
O prefeito Nedson Micheleti exemplifica que a Sercomtel Celular compra mais caro um telefone e o vende mais barato que os concorrentes, e só pode subsidiar 1 mil aparelhos enquanto uma TIM (Telecom Itália Mobile) compra 5 milhões. Há aí um evidente poder de concorrência. Mas é certo que outras empresas também estão no mercado, em Londrina como a Vivo e a Brasil Telecom e, portanto, na mesma roda-viva da competição. Verdade se diga que também a Claro operadora do grupo mexicano América Móvil, com 18 milhões de usuários teve prejuízo operacional no ano passado, porém há os exemplos das congêneres que operaram com lucro. No caso londrinense, há que avaliar eventuais pontos frágeis da empresa antes de desfazer-se dela. Se o argumento é que as concorrentes ganham no volume de operações, uma empresa menor tem também investimento e encargos menores. O mercado da telefonia fixa e celular está em alta contínua, tanto que as oportunidades, em Londrina, se abriram para mais três empresas de fora. Então algo pode não estar sendo conduzido com maestria, especialmente na área de vendas e estratégias pertinentes. Uma empresa, como a Sercomtel Celular, que ainda domina 43% do mercado e administra 80 mil usuários, deve ter oxigênio bastante para manter-se que não seja na dependência da Sercomtel porque, individualmente, dispõe da maior fatia. Não se pode conceber que a decisão do plebiscito que 5 anos atrás impediu a venda (já então desejada) da empresa seja impedimento para expansão e operação lucrativa. Ao menos não tem sustentação a afirmativa de que a revogação do veredicto plebiscitário seja condição para poder acompanhar o fluxo do mercado. Uma coisa não se vincula à outra, porque o plebiscito não estabeleceu cláusulas cerceadoras, a não ser a da venda da empresa. Ocorre, ademais, que a Sercomtel Celular é vinculada à Sercomtel-mãe, portanto se houver propósito de venda de uma parte, todo o grupo terá de ser vendido. Mesmo que se consiga a desvinculação, uma pergunta nova é onde seriam aplicados os R$ 100 milhões (valor estimado) da venda da Sercomtel Celular. E quem a compraria? Eventualmente uma das empresas concorrentes? Venda de patrimônio público, em Londrina, rememora antecedente desastroso, como o repasse de 45% das ações da Sercomtel à Copel (à vista) e cujos R$ 184 milhões diluiram-se e deles o povo não teve notícia precisa. Algo que acabará passando à história como um enigma, nunca desvendado por inteiro. Apesar da transparência do balanço da Sercomtel, publicado na imprensa, falta uma explicação mais didática dos anunciados prejuízos da empresa pública que administra os celulares em Londrina e áreas circunvizinhas. Os argumentos, com relação ao peso da concorrência, devem ser considerados, mas antes de um eventual abandono do negócio será preciso uma exposição clara sobre as razões da debilitada saúde financeira da Sercomtel Celular.





