A questão da identidade
A cada passagem, como ontem, da emancipação política do Paraná há temas que retornam com naturalidade: um deles o nosso avanço para a integração física, cuja arrancada se dá no período de Ney Braga e de gestões sob sua influência ainda no regime militar; outra, essa uma carência essencial, a discutida questão da nossa identidade. Fica bem claro que a integração física carecia de um aporte espiritual no intercâmbio cultural numa vivência mais denssa dessa questão por todos os paranaenses, no que melhoramos consideravelmente, mas não certamente o suficiente.
O Paraná ainda sustenta posição privilegiada no Brasil como economia moderna e sociedade urbanizada, o que está presente nas nossas contribuições em divisas e não há, pelo menos materialmente, algo que justifique um sentimento de baixa estima ou de constrangimento, inibição. É também de fácil apreensão o fosso entre o que conquistamos como unidade política e o nosso potencial.
Muitos sociólogos viram o Paraná como uma sociedade que sofre a influência recíproca de São Paulo, de quem descendemos e que hoje nos orgulhamos de não mais sermos uma economia de complementaridade, e dos gaúchos, o que é visível especialmente nos Campos Gerais e no Oeste e Sudoeste na presença dos Centros de Tradição Gaúcha (CTGs), quando muitos daqueles valores do ciclo carreteiro em instrumentais de adorno e culinária sejam originariamente nossos.
Historiadores demonstraram que muitas áreas gaúchas foram colonizadas por paulistas da 5 Comarca, portanto curitibanos, com os quais há semelhanças até no modo de pronunciar as palavras.
Precisamos ensinar a história e geografia do Paraná, suas lendas, suas artes, viver enfim as suas vivências para o intercâmbio cultural, com o que ninguém mais dirá que não temos identidade por sermos, isso sim, condenados a desvendar a unidade justamente em nossa rica e profunda duversidade.





