O ex-bispo católico Fernando Lugo, agora eleito presidente do Paraguai, fala de seu justificado desejo de que, daqui por diante, o povo paraguaio seja conhecido pela honestidade e não pela corrupção. O tema do momento relacionado com o Brasil, depois da eleição que destronou 61 anos de domínio ditatorial do Partido Colorado (conivente com o arbítrio e a bandidagem), é a revindicação de Lugo de que seja revisto o Tratado de Itaipu, de forma a que o Paraguai sejam contemplado com a elevação da cota que os brasileiros lhe pagam.
Muita água deverá ainda passar pelas comportas da gigantesca usina binacional até que a questão seja solucionada a contento, porque as opiniões no âmbito governamental e da diplomacia, assim como da população brasileira, são divergentes. Os contrários a concessões argumentam que o presidente Lula já afrouxou com Evo Morales no caso do gás boliviano vendido ao Brasil e da ocupação de instalações da Petrobras na Bolívia. No passado mais distante os co-irmãos vizinhos formavam um país desenvolvido industrial e economicamente e sua memória histórica atribui ao Brasil a culpa pelos brasileiros guerrearem contra o Paraguai, cedendo assim à pressão das tecelagens inglesas, que não desejavam que aquela pequena comunidade sul-americana lhes fizesse concorrência. Porque a partir desse conflito armado o Paraguai não foi mais o mesmo. E hoje é, isto sim, especialmente na área da fronteira, um império de contrabandistas, de receptadores de veículos roubados (por brasileiros) no Brasil, de traficantes de drogas e falsificadores de mercadorias e produtos. O grosso da freguesia situa-se nos nada inocentes brasileiros que surfam nessa onda.
A questão da cota paraguaia de Itaipu é um assunto delicado que os estrategistas governamentais do Brasil terão de resolver, com diplomacia mas sem generosas concessões, porque o povo brasileiro é que acabará pagando se a tarifa de energia elétrica subir. Um caminho que a dupla Lula&Lugo podem seguir é o de, efetivamente - como é anseio do novo presidente paraguaio - melhorar a qualidade do vizinho país, que, verdade se diga, é também um incômodo para o Brasil por causa da bandidagem citada e os correspondentes pares em nosso país.
Cessariam bastante, com um Paraguai melhorado, as nossas perdas com a sonegação de impostos pelo contrabando, com os bens patrimoniais representados pelos carros levados daqui, com a entrada de gado doente e com o custo social pelo atendimento aos males das drogas (uma culpa que não é só dos paraguaios). Assim, como troca, poderia resultar econômico e conveniente um reajuste para cima da cota paraguaia de Itaipu.

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