O Brasil tem ainda pela frente um grande desafio em relação à destinação adequada do lixo reciclável e o cenário em Londrina não é diferente. Na edição de segunda-feira (30), a FOLHA trouxe reportagem que mostrou mais um capítulo da relação conturbada entre as sete cooperativas que prestam o serviço de coleta de resíduos recicláveis no município de Londrina e a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização).

A situação é acompanhada pelo MP (Ministério Público) há alguns anos e o órgão cobra que a administração municipal cumpra todas as suas obrigações contidas no Plano Municipal de Gerenciamento Integrado de Resíduos, que prevê a participação das cooperativas no sistema e impede a substituição delas por empresas terceirizadas, diretriz que também está estabelecida na Política Nacional de Meio Ambiente

O cenário, hoje, da coleta de reciclados em Londrina não é confortável para um município que já foi referência internacional no setor. Hoje, entre as cidades brasileiras com melhor desempenho no setor está Curitiba e Florianópolis, duas capitais do Sul do país.

A atual administração municipal herdou o sistema de coleta de materiais recicláveis em um momento crítico. De um lado, as cooperativas reclamam da remuneração estipulada em contrato e, de outro lado, os moradores lidam com falhas recorrentes na coleta. Já a atual gestão da CMTU acredita que o modelo de cooperativas está superado e pode apresentar um novo padrão de gerenciamento.

Apesar do crescimento exponencial dos serviços de delivery no período e suas volumosas embalagens, entre 2014 e 2024 as cooperativas venderam ao mercado praticamente a mesma quantidade de material. Segundo dados fornecidos pela CMTU, em 2014 foram 10,3 mil toneladas e, no ano passado, 9,9 mil. Neste intervalo, o pico foi em 2016, com quase 13,2 mil, e com a baixa mais expressiva em 2019, com a venda de pouco mais de 6,8 mil toneladas.

O vínculo entre as cooperativas e a CMTU está atualmente regido por contratos assinados em outubro, com duração prevista de um ano. Na ocasião, a companhia municipal informou que havia incrementado os valores pagos pela coleta e pela triagem, além do pagamento da insalubridade e do recolhimento do INSS para os recicladores, reajustando o pagamento por imóvel visitado de R$ 2,11 para R$ 2,82, um aumento de mais de 33%. Mas os recicladores têm esperança que os contratos possam ser revisados, com valores mais altos.

A eficácia da coleta seletiva é fundamental para que os índices de reciclagem aumentem no Brasil. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, apenas 32,2% dos municípios brasileiros têm esse serviço. A reciclagem não pode ser vista simplesmente como uma despesa, mas como um investimento.

E ainda não falamos sobre o papel do cidadão nessa equação. Considerando que a grande parte dos resíduos sólidos é proveniente das residências, se cada morador fizer a sua parte na separação, destinação e reaproveitamento de materiais, a reciclagem se tornará mais viável.

Quando a população faz a parte dela e o serviço é bem administrado, o sistema de coleta seletiva gera empregos, renda, conserva recursos naturais e protege o meio ambiente. Uma boa parte do lixo que não é reciclado, acaba entupindo bueiros, contribuindo com alagamentos, sendo carregado pelas chuvas e indo parar em rios e córregos, mares e florestas.

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