Recentemente, foi publicado no espaço de opinião deste prestigiado periódico londrinense (que é guarda feroz e corrente dos interesses da região e da cidade), na data de 5 de julho de 2024, um artigo intitulado “A queda de um gigante”.

Na visão do articulista, a má fase de um grande e tradicional time do estado vizinho, descrito como um clube hoje sem personalidade, atualmente dominado por interesses reprováveis, com histórico de altos e baixos nas competições futebolísticas, faz com que o futebol brasileiro como um todo, seja impactado pela “decadência de um de seus gigantes”, reclamando ainda que o cenário caótico poderá mudar somente com o tempo.

Mas ao terminar a leitura do texto de um, aparentemente, inconformado e sofrido torcedor de um time paulista, imediatamente fui instado a questionar: sendo eu londrinense, muito mais interessado nas coisas que importam para a minha terra vermelha, preocupado com o que atinge a cultura e economia pé vermelha, deveria me ocupar e apoiar, sendo também um fã de futebol e torcedor, de agremiações do estado vizinho?

Olhando para a minha realidade, e traçando um paralelo com as lamentações do articulista, observei que, por aqui, assim como narrado naquele texto, também temos uma instituição futebolística com reconhecida história no esporte bretão, que já lotou o Estádio do Café e outros (maior público da história de São Januário, por exemplo), que já fez (e faz) sofrer e sorrir sua pequena, mas apaixonada, torcida, que, goste-se ou não, é a maior propagadora do nome da cidade e, também, instituição que movimenta a economia local e que por fim e ao cabo, por conta de más gestões e abandono, afundou-se em dívidas, com a consequente derrocada esportiva, tal e qual a situação descrita sobre o time de outra localidade.

Porém, assim como a Fênix, após ter convocada a sua destituição (eu quando presidente do conselho assinei a convocação dos sócios para fechar o clube), o Londrina Esporte Clube ressuscitou das cinzas, e após mudar a forma de gestão, obteve vários acessos, ganhou dois títulos estaduais e um nacional e, atualmente, é uma Sociedade Anônima de Futebol, sempre ostentando o nome e representando a segunda maior cidade do Paraná.

Entretanto, diferentemente de grandes clubes de outros estados, tão prestigiados por aqui, o alviceleste londrinense não desperta a mesma preocupação e amor da população local que (salvo as exceções), há tempos, abandonou o necessário calor e apoio que vem das arquibancadas, bem como, e principalmente, o interesse em ver crescer o maior representante do nome de nossa cidade, optando por identificar-se e apoiar instituições alienígenas.

Assim, fica o respeito aqueles que abraçam as agremiações de outros estados (pelas mais diversas razões que não compete a ninguém questionar), inclusive financeiramente, mas é necessário destacar que, para quem vive, reside, ganha seu sustento e ama essa terra vermelha, o que nos atinge, nos representa (vencendo ou não) e diz respeito, é o Tubarão do Norte do Paraná, que emprega diretamente mais de 100 pessoas e indiretamente pelo menos outras centenas, movimentando a economia local e que, se devidamente apoiado, tem o poder de impactar positivamente a todos nós e de uma forma muito mais interessante e real do que o suporte e preocupação com qualquer time de outras localidades.

Walter Bittar, advogado e professor, carioca de nascimento, londrinense de coração, conselheiro e torcedor do LEC com muito orgulho e amor.

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