A propósito do ''símbolo de Curitiba'' - Riad Salamuni, Paulo Salamuni e Eduardo Salamuni
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de maio de 1999
Riad Salamuni, Paulo Salamuni e Eduardo Salamuni 
Sempre tivemos conosco que a Universidade Federal do Paraná foi, para dizer o mínimo, a obra mais importante do século por tudo que representou e continua representando para o ensino, para a pesquisa e para a extensão.
Responsável por inúmeras gerações de profissionais liberais, professores e cientistas, a mais antiga instituição universitária do País tem sido, desde a sua implantação, a propulsora do progresso e o reflexo da cultura do novo povo.
Quando, através da mídia, a população é instada a eleger um símbolo para Curitiba, o primeiro impulso do cidadão é o de pensar em algo sério e consistente, que reflita o seu lado cultural e que, efetivamente, empresta-lhe a parte mais importante das suas características civilizadas.
De qualquer maneira, é oportuno lembrar que o termo símbolo sequer é pertinente: a cidade tem a sua simbologia, definida na Lei Orgânica do Município, ou seja, a sua bandeira, o seu hino e o seu brasão. Portanto, qual a representatividade de um novo símbolo, sobreposto sem respaldo legal, àqueles já definidos pela Câmara dos Vereadores e, dessa maneira, expressos em lei pelos legítimos representantes do povo?
Ocorre, por outro lado, que este tipo de escolha carece de credibilidade, pela total ausência de critérios: a mesma pessoa pode, se lhe convier, votar dezenas de vezes. Também não há limite de idade, de modo que crianças podem votar, quantas vezes lhes forem dito.
Durante muitas décadas, a Universidade Federal do Paraná materializou não apenas os anseios e as necessidades da comunidade quanto à formação da sua juventude mas, sobretudo, uma grande parcela do fortalecimento do seu tecido social.
A rigor, quando ainda eram extremamente escassas as instituições de ensino superior no País, o Paraná, com sua universidade, era o núcleo para onde convergiam estudantes de todos os recantos do Brasil, por ser reconhecidamente uma das poucas alternativas na busca de uma formação universitária.
Há anos dizíamos que aceitar a universidade como parte integrante e umbilicalmente ligada ao heterogêneo conjunto da sociedade, era, sobretudo, uma questão de bom senso. Não há como desligá-la da dinâmica transformista, que se insere no bojo das lutas sociais e da ciranda dos novos tempos.
O conjunto das universidades públicas e gratuitas da Nação tem sido, a rigor, responsável por mais de 90% das pesquisas que se fazem aqui, segundo dados do MEC.
A UFPR se insere neste contexto e, durante várias décadas, propiciou trabalhos de inegável mérito científico e técnico publicados no País e no exterior.
A Universidade é o antigo que rejuvenesce a cada nova geração, que remoça com o suceder dos anos na medida em que recebe sangue novo para lhe dar continuidade.
Em que pese a grande importância das áreas de lazer, fato que ninguém nega, há entre estas e a Universidade diferenças fundamentais: é uma condição sine qua non na complementação do conhecimento, na formação de profissionais, na modelagem de novas lideranças e, também, na projeção e execução das referidas áreas.
Estas seriam menos possíveis sem a Universidade, embora a Universidade pudesse perdurar sem elas.
Não seria exagero algum afirmar que Curitiba e o Paraná seriam menos Paraná e Curitiba sem a presença da Universidade Federal, pública, gratuita e competente.
- RIAD SALAMUNI é ex-reitor da UFPR
PAULO SALAMUNI é procurador do município e vereador
EDUARDO SALAMUNI é professor universitário em Curitiba


