Se parece inoportuno embora do livre direito da liberdade de imprensa os veículos de comunicação voltarem, duas décadas depois, a publicar fotos deprimentes do jornalista Vladimir Herzog numa cela do DOI-CODI de São Paulo, mais séria é a nota do Centro de Comunicação Social do Exército fazendo elogios ao golpe militar de 1964, isto sem o conhecimento do presidente da República, que é o chefe constitucional das Forças Armadas. Pela reação presidencial, uma nova nota foi publicada, em que o general-comandante Francisco Albuquerque diz que o assunto não havia sido abordado de forma adequada. O conserto se fez, e a questão deve dar-se por encerrada, mas fica no ar uma incômoda situação, a da existência, ainda, de posições isoladas (e tornadas públicas) das Forças Armadas como esta que ora ocorreu à revelia de consulta ao Presidente. Sem referência a eventuais resquícios dos tempos da ditadura, reacendeu-se uma certa preocupação ante a desenvoltura com que o Exército publicou a nota fato que se originou do clima criado com a divulgação da foto de Herzog preso, o que não agradou aos altos comandos militares. A nação brasileira vive sob estado democrático e as Forças Armadas são instituição vinculada à Presidência da República, não lhe cabendo colocar-se acima do Estado. É missão das Três Armas, justamente, garantir a vigência dos poderes constitucionais, e uma nota publicada ao seu livre-arbítrio que extrapolem questões privadas da caserna, afigurou-se como uma infringência das normas regimentais. Agiu corretamente e no desempenho de sua prerrogativa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao exigir a pronta retratação pública do Exército, porque é seu dever demonstrar à nação que a ordem constitucional está vigorante e fortalecida. Não perde sua autoridade o comandante do Exército, pela explicação que fez na segunda nota, porque esse gesto veio demonstrar a firmeza do regime. Foi um pequeno abalo, a princípio incômodo, mas a continuidade do episódio recolocou as coisas no lugar. Apesar dos preocupantes problemas sociais, que não deixam de constituir uma questão de segurança nacional, nada há no Brasil que favoreça idéias de eventual insubordinação e de atos que abalem o espírito constitucional e a governabilidade. A urgente intervenção presidencial consolidou essa garantia.

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