Nas quatro semanas de fevereiro, primeiro mês de trabalho de 2014 do Congresso Nacional, deputados federais e senadores tiveram o pior nível de produção em dez anos. O levantamento foi feito pelo jornal Folha de S. Paulo e conta que as duas casas aprovaram, neste período, apenas seis projetos de forma conclusiva. Não houve discussão de temas polêmicos. Duas das propostas aprovadas, por exemplo, tratavam da criação de cargos nos tribunais regionais do Trabalho em Sergipe e Santa Catarina.
Pelo ritmo de Brasília, março não deve mudar muito as estatísticas de produtividade dos parlamentares. Enquanto a maioria dos brasileiros está em plena atividade desde às 12 horas da Quarta-Feira de Cinzas, Senado e Câmara Federal voltam ao trabalho na terça-feira, dia 11 de março. É que, normalmente, senadores e deputados reservam as terças e quartas para votações de mais importância. As segundas-feiras são quase desconhecidas nos calendários de Brasília.
Segundo comparação feita pelo jornal, nos dois anos anteriores, a produção foi bem maior em fevereiro. Foram aprovados 25 projetos em 2013 e 36 projetos em 2012. Não é difícil imaginar os fatores que atrapalham a produtividade do Congresso Nacional. Nos bastidores, os diferentes interesses protagonizam quedas de braço para que algumas votações não ocorram. Além disso, os dias úteis no Senado e na Câmara não seguem a mesma lógica do dia a dia do cidadão comum, que trabalha na indústria, comércio ou serviços. O feriadão do carnaval é prova disso.
Pelo jeito, os discursos de abertura do Ano Legislativo no congresso, no último dia 3 de fevereiro, ficaram apenas na lembrança. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), convocou os companheiros para um ano de muito trabalho e chegou a listar algumas propostas para serem votadas já nos primeiros meses do ano, como o refinanciamento das dívidas dos Estados e municípios.
No ano passado, as manifestações populares que aconteceram em junho chegaram a influenciar na atuação dos parlamentares, que procuraram analisar uma quantidade maior de projetos de relevância social, como saúde e educação. Mas este ano, será bem diferente, pois dois eventos prometem ajudar a queda da produtividade dos políticos, a Copa do Mundo e as eleições.

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