A produção de uvas finas em Marialva
As terras férteis do Norte do Paraná continuam fazendo prodígios, mas não bastaria apenas esse atributo da natureza se não houvesse o empreendedorismo dos produtores. O município de Marialva, situado ao lado de Maringá, empenhou-se no cultivo de uvas finas (as denominadas uvas de mesa), mesclando parreirais com as plantações tradicionais de soja e milho. Hoje são 800 produtores de uva e 1.400 alqueires cultivados com as espécies mais nobres e mais consumidas, havendo também, embora em pequena escala, plantações destinadas a vinhos e sucos, com a correspondente produção dessas bebidas por um sistema cooperativo.
Sexta-feira instalou-se a 16ªFesta da Uva Fina de Marialva, que irá até dia 20, com exposição de exuberantes cachos, colhidos nas diversas propriedades do município e submetidos a um concurso, quando são outorgados certificados e prêmios aos melhores produtos. Realizam-se também shows musicais, com estandes para venda de uva e uma praça de alimentação. A promoção é dos próprios produtores, com apoio da Prefeitura Municipal, da Emater, da Secretaria da Agricultura, de cooperativas agrícolas e da Associação Norte-Paranaense de Estudos em Fruticultura, esta com sede em Marialva.
O município concentra o maior volume de produção dessas uvas finas no Paraná, e depois de três décadas de constante aperfeiçoamento dos processos de cultivo, Marialva é referência não apenas estadual mas nacional no setor, e suas colheitas, que ocorrem duas vezes ao ano, abastecem cidades de vários Estados. Há um aporte de tecnologia, sob a regência de experimentados especialistas, e a esta se aliam a experiência já adquirida pelos produtores e a política de estreito intercâmbio de informações.
A avaliação da qualidade não se faz apenas pela seleção das amostragens expostas, mas nas lavouras, de forma a que os concursos de qualidade, que ocorrem em todas as Festas da Uva, sejam respaldados também nas constatações de campo. Há um consenso dos produtores quanto ao cuidado de manter tecnologias e garantir a qualidade em todo o conjunto, e nesse propósito contam com o apoio técnico sobretudo da mencionada Associação dos Estudos da Fruticultura e da Emater.
Essa política veio aumentando os recordes de produção, de produtividade e de qualidade. Paralelamente, desenvolveram-se variedades que, por fenômenos genéticos, surgiram espontaneamente. A lucratividade é compensadora, embora a lida dos parreirais exija dedicação em todos os dias do ano, por tratar-se de cultura muito delicada. O mercado comprador é assegurado e todas as colheitas são inteiramente comercializadas. Estribada em números e nos padrões da qualidade alcançada, Marialva ostenta com propriedade o título de Capital da Uva Fina.





