Nas últimas semanas foram publicadas novas reportagens sobre a previdência privada no Brasil, seu crescimento, o motivo deste crescimento e o despertar do brasileiro para este tipo de investimento, já que a previdência oficial ‘‘não tem mesmo jeito’’.
A evolução deste segmento é realmente espantosa, principalmente com a diversificação ocorrida no mercado. Primeiro com administradores independentes e depois obviamente com os bancos tomando mais este mercado.
No entanto me pergunto sobre estes produtos e as possibilidades que o investidor tem de fazer exatamente a mesma coisa de forma mais barata em vários sentidos.
Os produtos de previdência oferecem para os mais conservadores fundos de renda fixa baseados em títulos públicos com boas rentabilidades em relação à inflação. No entanto a taxa de administração cobrada mensalmente durante o período contratado, normalmente 10 a 15 anos, fica muito elevada em relação a qualquer outra aplicação que o investidor queira fazer por sua conta. O ponto favorável ao plano de aposentadoria é a isenção de IR limitada a 12% da renda bruta para as contribuições anuais. No entanto até quando o governo vai permanecer fazendo esta renúncia fiscal? Se o investidor adquirir os mesmos títulos públicos através do sistema Tesouro Direto, pagará no máximo 20% em corretagem do que paga em taxa de administração. Agora o grande problema é a disciplina, que um carnê ou um débito em conta tem, contra o fato de que espontaneamente o investidor uma vez por mês adquira títulos públicos via Internet. Mas acredito que quando se trata de seu dinheiro o investidor tenha esta disciplina, principalmente quando se fala em ganhar mais. Outro ponto na renda fixa é a possibilidade de tornar este investimento um pouco mais arrojado, com títulos de bancos que oferecem taxas mais altas que os títulos públicos. É claro que isto exige uma análise apurada para não se deixar levar por taxas muito altas, que às vezes escondem problemas.
No caso de produtos um pouco mais arrojados, isto é, que tem alguma parcela de renda variável, a taxa de administração é ainda mais alta, pois existe uma participação maior do administrador de recursos. No entanto, como já foi colocado aqui em artigos anteriores, a compra de ações de bancos proporciona um retorno em dividendos de 10% em média, em relação ao preço pago, fora a valorização do papel na bolsa. Isto quer dizer que em um mix de 20% em ações e 80% em títulos públicos, o investidor tem condições de ter uma boa rentabilidade, com custos mais baixos.
O último ponto que gostaria de colocar é a necessidade às vezes de ter de sacar os recursos guardados para emergências, e isto ser possível mediante uma taxação forte que junto com as taxas de administração cobradas, tornam muitas vezes estes investimentos, não tão bons quanto diz a propaganda.
A conclusão que se chega é que a tão propalada poupança do povo americano em ações pode ser alcançada da mesma forma no Brasil, pelo investidor brasileiro desde que este seja bem informado, tenha mais empresas com liquidez na bolsa, empresários que saibam ter vários e importantes sócios e bancos que saibam que a competição pressupõe competidores, e que o governo, qualquer que seja ele, entenda que a poupança nacional deve ser incentivada, sem renúncia fiscal e sim com regras constantes e tributação condizente.
- MAURO GIORGI é analista da Novação Corretora de Valores

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