É inconcebível para o equilíbrio de uma instituição como a Previdência Social que ela tenha a estrutura de uma simples repartição pública. São tantas restrições administrativas a imobilizar o gestor, que se torna difícil a adoção de novas estratégias operacionais e quase impossível uma gerência que prime por resultados.
A Previdência Social, por envolver uma atividade de seguro bastante complexa, evidencia, melhor do que outra instituição, a inadequação do modelo brasileiro de gestão pública. Somos uma empresa que movimenta anualmente R$ 50 bilhões, somente com pagamento de benefícios, e ainda assim não contamos em nosso quadro com auditores nem avaliadores de risco. Da mesma forma que, exercendo uma atividade ligada a seguros e baseada em cálculos atuariais, não possuímos atuários e tampouco podemos recrutá-los no mercado de trabalho.
O excesso de burocracia - pior do que há vinte anos - compromete a eficiência do sistema, que foi criado sem carreiras adequadas e é executado basicamente por pessoal de formação média, em termos de recrutamento no mercado. Trabalhadores que, sem perspectivas funcionais, buscam a aposentadoria o mais rápido possível para a partir de então tentar uma vida profissional satisfatória, pessoal e financeiramente.
Sob o ponto de vista dos recursos humanos, há situações, no mínimo embaraçosas, como a da coordenação de benefícios do INSS em São Paulo, onde para administrar mais do que o dobro do número de benefícios do sistema chileno, a chefia do setor recebe em torno de R$ 1 mil. São casos que nos levam a refletir como é possível premiar a eficiência e fazer com que o servidor assuma sua responsabilidade com a Instituição. Na Previdência, isso é fundamental porque são os servidores que comprometem o orçamento com os segurados por vinte anos ou mais! E um erro traz prejuízos difíceis de serem contornados devido à morosidade dos próprios processos administrativos. A história tem mostrado as consequências disso.
Na área de contratação e licitação de serviços e equipamentos, a administração pública vem se tornando refém do corporativismo de determinados segmentos. A legislação vigente, alterada há poucos anos para dar maior rigor aos processos, favorece a procrastinação de prazos, tornando morosas e desgastantes simples aquisições de materiais como canetas, lápis e tinta para impressoras. Em certos setores - como o da informática - sabemos que o tempo é a maior inimiga de quem tenta acompanhar as novidades tecnológicas.
Hoje, tudo o que custa acima de R$ 1.900 deve se submeter a um processo especial para ser adquirido. Isto requer a formação de comissões com servidores especialmente treinados, capazes de, entre outras coisas, apresentar relatórios com informações suficientes para contestar recursos e até mesmo mandatos de segurança. Surge aí outra dificuldade: como reunir servidores dispostos a ingressar nessas comissões, que tenham, além da capacitação profissional, o compromisso com o processo administrativo, sabendo que respondem solidariamente com o administrador em caso de erros ou irregularidades?
Por outro lado, temos os clientes - aposentados e segurados - que, assim como na iniciativa privada, exigem, com toda razão, qualidade e rapidez no atendimento. E, embora sejam estes os resultados que devem ser perseguidos pela administração pública, acabam sendo sacrificados em nome de procedimentos e normas ultrapassados. Enfim, um modelo completamente superado e ineficiente para a Previdência alcançar os objetivos aos quais se propõe.

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