Os números apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde, por meio do boletim semanal informativo sobre SG (Síndrome Gripal) e SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) revelam um cenário que exige muita atenção, responsabilidade coletiva e, sobretudo, ação rápida da população. Quando uma cidade contabiliza 28 mortes relacionadas à SRAG em pouco mais de seis meses, fica evidente que a gripe e outros vírus respiratórios estão longe de representar um simples desconforto passageiro.

O dado mais preocupante talvez não seja apenas o volume de atendimentos ou de internações, mas a persistência de uma cobertura vacinal insuficiente justamente entre aqueles que mais precisam de proteção. Apenas 57% dos idosos e 40% das crianças pertencentes aos grupos prioritários foram imunizados. São índices incompatíveis com a gravidade do momento e muito distantes da meta historicamente perseguida pelas campanhas de vacinação.

Segundo o boletim, Londrina segue registrando a circulação de diversos vírus respiratórios, principalmente o VSR (Vírus Sincicial Respiratório) e Influenza A e B. A cidade também registra a presença do Rinovírus e Adenovírus.

De acordo com o balanço, de 21 a 27 de junho (Semana Epidemiológica 25), foram registrados 44 casos de SRAG com necessidade de internação, sendo 22 em adultos e 22 em crianças de até 12 anos.

Sobre os 28 óbitos ocorridos em 2026, relacionados à Síndrome Respiratória Aguda Grave, foram oito por influenza, cinco por VSR e 15 sem identificação do agente causador. Em relação ao boletim anterior, os dados preliminares indicam o registro de mais dois óbitos. Ambos em pacientes do sexo masculino, de 67 e 88 anos, com comorbidades.

O boletim aponta ainda que os atendimentos por Síndrome Gripal também permanecem elevados. Na última semana, o PAI (Pronto Atendimento Infantil), referência municipal para urgências e emergências pediátricas, contabilizou 2.954 atendimentos. Desse total, 862 estavam relacionados a casos de Síndrome Gripal, o que representa 29% dos atendimentos pediátricos de urgência.

É sempre bom frisar que a ciência já respondeu, há muito tempo, qual é a principal ferramenta para reduzir internações e mortes por influenza: a vacina. Trata-se de uma estratégia consolidada e constantemente atualizada para acompanhar as mutações dos vírus. Ainda assim, parte da população insiste em adiar ou simplesmente ignorar a imunização, comportamento que cobra um preço alto não apenas individualmente, mas para todo o sistema de saúde.

É preciso reconhecer o esforço da Secretaria Municipal de Saúde ao ampliar o acesso à vacinação com ações extramuros, como os drive-thrus e postos instalados em eventos públicos. Levar a vacina para onde as pessoas estão reduz barreiras e facilita o acesso. No entanto, nenhuma estratégia será suficiente se faltar o ingrediente principal: a disposição do cidadão em se vacinar.

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