A presunçosa aspiração do terceiro mandato
Por todas as formas deve ser condenada pela opinião pública a presunçosa aspiração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser agraciado com um terceiro mandato consecutivo, o que ele obteria por um eventual plebiscito favorável e por uma alteração da lei eleitoral que lhe permitisse concorrer e permanecer no comando da República por mais 4 anos. Governantes que se imaginam inigualáveis e se embevecem pelo poder desejam perpetuar-se no comando e ignoram que a nação é regida por um regime que não contempla mudança nas regras do jogo e nem arroubos de grandeza.
Oito anos já são considerados demais para um candidato que muito prometeu e pouco realizou, e convenhamos que 12 anos no mesmo ritmo seria uma overdose. Considerando-se sua política assistencialista do tipo Fome Zero (que nem decolou) e a seguir o programa Bolsa-Família, não é difícil no Brasil um presidente da República reeleger-se. Foi o que aconteceu com Lula, e não por mérito de um desempenho governamental que o tenha consagrado no primeiro mandato. Ao contrário, seu governo foi de baixo investimento e de aumento da gastança pública e da corrupção. Não está afastado o risco de ele obter a benesse de uma mudança na legislação pertinente que lhe possibilite concorrer na sequência do atual mandado, em 2010. Porque a máquina governamental é poderosa e capaz de operar ''milagres'' onde o fisiologismo parlamentar pontifica. Recorde-se que no período da ditadura o Congresso Nacional metamorfoseou-se em arauto do regime, compondo um corpo legislativo que por cinco vezes consecutivas elegeu presidentes militares. Eram votos de conveniência, dando aparência ao mundo de que aqui imperava uma democracia, eis que eram os representantes do povo que colocavam no poder os generais.
Estribado em pesquisa de aprovação popular - e de cuja autenticidade o povo começa a desconfiar - Lula age nos bastidores e, em ano eleitoral, quer mudar normas consagradas do sistema democrático. Recorda-se que o presidente Itamar Franco chegou a obter 80% de aprovação do povo e não fez nenhuma artimanha para continuar no poder e nem permitiu que se especulasse em torno disso.
No Brasil Império, D. Pedro II reinou por 58 anos (de 1831 a 1889); o ditador Getúlio Vargas alcançou a façanha de três mandatos seguidos (de 1930 a 1945), sendo eleito pelo voto popular para um quarto mandato (de 1951 a 1954); e finalmente os ditadores pós-64, que ficaram no poder por duas décadas. Em regime democrático nunca ocorreu um terceiro mandato presidencial contínuo de um mesmo presidente. Agora Lula quer reavivar esse sistema e, por ardilosos métodos (tal qual o fisiologismo parlamentar dos anos do mando militar), quer impor-se como soberano do trono por mais um mandato. A nação sensata e produtora, que segura a barra deste país, não merece!





