A benéfica presença do dinheiro extra do 13º salário é bem uma amostragem do quanto é importante a moeda em circulação. Muitos o utilizam para pagar contas, outros fazem compras, outros viajam, mas de qualquer modo é capital girando e movimentando a economia. Um real que se põe para circular terá desdobramentos e converte-se num valor decuplicado, porque vai passando de mão em mão. Este é o segredo do desenvolvimento. Por isso que um emprego é importante, porque desloca a moeda de um lugar para outro, e além de garantir a subsistência do trabalhador e sua família, faz o seu giro e vai semeando mais riqueza. Neste mês de dezembro há uma euforia do comércio pelo dinheiro novo que entra, e não apenas este mas também o proporcionado pelos empregos temporários que o final de ano oferece por via das festas da época, incluindo as formaturas. Tudo isso faz girar a roda financeira, beneficiando a infindáveis segmentos. Quando a moeda circula, todos ganham, inclusive o governo, porque passa a arrecadar mais. Estranha que, no seio da comunidade econômica governamental e mesmo entre correntes do empresariado, impere o temor de que moeda circulando, em função de giro de negócios e consumo, gera inflação. E, por conta disso, as autoridades monetárias buscam controlar a economia, por via de juros altos e outros obstáculos, tudo sob o signo de que consumismo gera inflação. Talvez falte a essas correntes o entendimento de que consumo resulta, sobretudo, em desenvolvimento. Países economicamente desonvolvidos são aqueles onde o povo tem alto poder de compra e por isso gasta. O contraditório, no Brasil, é que a alta rotatividade de dinheiro só é aplaudida em dezembro, mês do 13º, parecendo que nos restantes onze meses do ano é preciso manter elevada a taxa do juro básico e não facilitar o crédito pela manutenção do custo alto do dinheiro. Que, dessa forma, fica estagnado. A resultante é um pseudocontrole inflacionário, e uma certeza: a retração econômica, com tudo de pior que corre por essa esteira. A notícia boa é que o benfazejo salário extra injetará no Paraná R$ 875 milhões, na verdade um valor que jaz latente esperando ser liberado para voar. Nada que esteja sendo impresso na gráfica que fabrica dinheiro. A moeda apta para circular é sempre a mesma, mas ela resulta em pouco se fica parada, ou desdobra-se dezenas de vezes se lhe é permitido fazer o seu giro. A linguagem dos financistas mais sábios é que dinheiro é cigano, não podendo ficar parado num mesmo lugar. Não fosse verdadeira essa assertiva o 13º não seria tanto aguardado, e não apenas pelos beneficiários diretos, que são os trabalhadores que o recebem, mas por todo o universo financeiro.

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