Os especialistas são unânimes: uma das principais estratégias para evitar o contágio em massa da Covid-19 é o isolamento social. Além de desacelerar a propagação da doença, a quarentena ajuda a achatar a curva da pandemia e isso faz parte da estratégia para evitar também o “sufocamento” dos serviços de saúde, de forma que eles não fiquem sobrecarregados por ter que prestar atendimento para muitas pessoas ao mesmo tempo.

A opinião dos especialistas do mundo todo convergem hoje para ações de estados e municípios como Londrina, onde o prefeito Marcelo Belinati (PP), que também é médico, tomou a decisão acertada, fechando o comércio e as escolas antes que um “boom” epidemiológico se instalasse na cidade. Isso lhe valeu pelas redes sociais a hashtag #ficafirmeprefeito, em apoio à sua decisão.

A mesma prevenção não foi adotada em países de primeiro mundo: é notório o desastre instalado na China e posteriormente na Itália, Espanha e nos EUA. Segundo um balanço feito no início da semana, a Itália, que iniciou tardiamente o isolamento, já registrou cerca de 11 mil mortos; a Espanha mais de 7 mil mortos e os os EUA contavam com cerca de 3.400 mortos, superando a Itália e Espanha com 175 mil pessoas contaminadas. Os balanços só crescem e, na terça-feira (31), o Brasil já somava 201 mortes e quase 6 mil infectados.

Enquanto a doença avança, aumenta também a queda de braços entre governos estaduais e o governo federal. Na terça-feira, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), afirmou que irá à justiça se o presidente Jair Bolsonaro decretar a reabertura do comércio no estado. A postura de Dória não é diferente da postura de outros governadores que estão acelerando as obras de hospitais de campanha para que a epidemia não sufoque as estruturas dos serviços de saúde que ainda têm que atender a outros casos de pessoas internadas por acidentes, ataques cardíacos ou AVCs.

Enquanto as autoridades de saúde e os governos estaduais correm para implantar soluções de atendimento médico à massa contaminada, o governo federal tem anunciado uma série de medidas econômicas que, no conjunto têm um impacto de R$ 348,9 bilhões. No entanto, até a semana passada, como mostrou o Estadão/Broadcast, de cada R$ 100 anunciados, R$ 64 não haviam saído do papel.

O que se pergunta, desde o início da crise causada pela Covid-19, é quanto tempo a população brasileira - que é vítima potencial da doença - terá que esperar para conseguir compensações econômicas que fazem parte de um pacote anunciado desde o dia 11 de março. O pacote inclui antecipação de benefícios, como 13º para os segurados do INSS, ampliação do Bolsa Família, adiamento de cobrança de impostos para empresas e financiamento da folha de pagamento e auxílio a trabalhadores informais, entre outras coisas.

Em Londrina, Belinati anunciou uma linha de crédito e adiou prazo para pagamentos de impostos. O trabalhador mais pobre é o mais vulnerável à crise do coronavírus. O auxílio dos governos federal, dos governadores e prefeitos não poderá ser tímido, mas robusto para ajudar no caixa das empresas e para socorrer aqueles que perderão emprego ou terão seus ganhos reduzidos. Para sustentar o isolamento social por mais tempo, os pacotes econômicos emergenciais têm que ser vigorosos e chegar rápido a quem precisa. Os poderes precisam trabalhar unidos e tentar juntos buscar soluções sem usar a crise como questão política.

Em qualquer país desenvolvido, a presença do estado é fundamental em momentos de crise aguda. Resta o bom senso de governadores, prefeitos e da própria população na manutenção do isolamento social, decisão já tomada por alguns municípios do Paraná que pretendem manter a quarentena mesmo depois deste 1º de abril, quando se cumpriu uma etapa do início do isolamento. Se a economia, que sempre deu voltas, pode se recuperar, as vidas não. Neste momento, vale a ética da preservação da vida, a partir da qual emanam outros valores e sem qual nada faz sentido.

A FOLHA deseja saúde aos seus leitores!

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