Um grupo de 23 ganhadores do Prêmio Nobel enviou na semana passada uma carta ao presidente Michel Temer, criticando os cortes orçamentários em ciência e tecnologia e recomendando que o peemedebista reveja sua posição antes que seja muito tarde. É de grande importância que o governo federal diminua os gastos públicos, pois o endividamento é um imenso obstáculo para o crescimento do país. Mas é preciso ter atenção ao fazer cortes em áreas essenciais, como educação, saúde e pesquisa. As consequências negativas são imensas e podem jogar o país em um tipo de "era das trevas". Os efeitos terão alcance em todas as áreas, até mesmo econômica, já que a pesquisa tem relação estreita com a indústria, a agropecuária, entre outras áreas extremamente importantes para o desenvolvimento do Brasil. Como fazer inovação, sem fazer pesquisa? A carta assinada pelos cientistas faz referência ao corte de 44% no orçamento de 2017 do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), além da perspectiva de um novo corte de 15% para 2018. A curto prazo, espera-se um desmantelamento de grupos de pesquisadores e a inevitável fuga de cérebros, quando há uma significativa perda de talentos, que deixam o país em busca de melhores salários e condições de trabalho. "À fria luz dos fatos e além de qualquer partidarismo, repudiamos os repetidos e substanciais cortes de verba que sabotam o potencial transformador da ciência brasileira", diz a carta. O matemático brasileiro Artur Avila, ganhador da Medalha Fields, considerada o Prêmio Nobel da Matemática, é um dos signatários. É preciso considerar que a falta de recursos financeiros não é o único entrave que afeta a ciência no Brasil. A burocracia chega a matar projetos que ainda estão começando e desmotivam até mesmo os mais empenhados. Enquanto há tempo, é necessário considerar todas as implicações que o desestímulo à pesquisa pode provocar para o desenvolvimento do Brasil.

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