A preferência para os empregos públicos
A revista Veja desta semana revela, em sua reportagem principal, que tornar-se funcionário público voltou a ser um dos sonhos da classe média brasileira, e isto não é nada entusiasmante sob a ótica de quem deseja uma nação em franca produção de bens e serviços e não com mais cidadãos por trás das escrivaninhas da burocracia. Atraídos pelos bons salários, pela quase garantia de estabilidade e pelas mordomias pagas com dinheiro do povo, esse mesmo povo está preferindo as repartições públicas ao invés das empresas privadas. Mostra o levantamento da revista que tamanha intensidade, nessa corrida, não tem precedentes na história brasileira.
Na década de 80 os funcionários públicos representavam 17% entre os trabalhadores com carteira, e hoje o índice é de 22%, superando nesse ranking Estados Unidos, Inglaterra, Chile, Argentina. Isto mostra uma nação em decadência, porque afora as atividades essenciais como saúde, educação, segurança, as braçais mais pesadas e outros relevantes serviços públicos, há um grosso volume de gente nessa área que pouco faz, muito atrapalha e nada rende para a economia e o bem-estar do país, mas ao contrário, o onera muito. É nesse contingente que mais pessoas querem entrar, porque nas empresas públicas não há patrões que utilizam dinheiro próprio e, portanto, são liberais e fazem a alegria dos que habitam esses paraísos.
Hoje somam 9 milhões as pessoas que vivem de ganhos públicos, desde o office-boy de uma repartição até o chefe da nação, e no permeio todo o funcionalismo regular, vereadores, prefeitos, governadores, deputados, senadores, ministros, pessoal diplomático, as várias classes de operários a atendentes e também assessores que nada fazem. Quando o número era de 8 milhões, o então ministro Mário Henrique Simonsen declarou que metade poderia ser dispensada e que isto produziria um maior rendimento dos serviços, com muita sobra de dinheiro para atender às causas sociais e à realização de obras.
Não é por acaso que são necessários, de cada cidadão, os ganhos de 145 dias por ano de seu trabalho para sustentar a máquina pública, que, no segmento político e burocrático é inchada, gastadora e desperdiçadora, corrompida, de baixa operância e atrapalhadora. Em nenhum outro lugar um funcionário vai encontrar salários tão bons e com tantos benefícios - declara o cientista político José Matias Pereira, da Universidade de Brasília. A revista Veja publica tabela mostrando que, na comparação de salários para funções idênticas do serviço público e do privado, aquele paga salário melhor. Porque, nessa mina de ouro o dinheiro não é do empregador, mas do sofrido povo. Na empresa privada, que se sustenta com dificuldade, a carga tributária a exaure, justamente para sustentar essa orgia do empreguismo público. Assim, se a empresa privada se exaurir, não sobrará para ninguém.





