A precipitada proteção do dólar
O governo se preocupa com a disparidade do câmbio porque o real valorizado prejudica as exportações brasileiras. Faz sentido? Em tese. Só que a presença de produtos brasileiros no mercado internacional passa pelo fator eficiência competitiva e não, necessariamente, pela cotação da moeda estrangeira. Para favorecer os exportadores nacionais o governo adota uma medida que nada tem a ver com as relações comerciais, ao elevar alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) dos investidores estrangeiros.
A variável cambial produz dois efeitos distintos: ao mesmo tempo em que
prejudica as exportações, beneficia os importadores de tecnologia ou insumos para fabricação de produtos importantes no mercado interno. É por conta disso que, em qualquer cenário de estável, o melhor a fazer é manter o câmbio flexível.
Ontem adotou outra medida. Menos de 48 horas depois de elevar a alíquota do IOF para aplicações de investidores estrangeiros em renda fixa, o governo lançou mão de mais uma medida para ajudar a segurar a queda do dólar frente ao real. O Tesouro Nacional poderá comprar antecipadamente os dólares necessários ao pagamento dos vencimentos da dívida pública externa dos próximos quatro anos. Medida aparentemente específica. Nem tanto porque mexe com o desempenho de empresas fornecedoras.
Também é discutível a entrada do governo no mercado para combrar dólares. O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu dobrar o prazo para a compra antecipada de moeda estrangeira, que subiu de 750 dias para 1500 dias, conforme os repórteres Adriana Fernandes e Fabio Graner. As aquisições de dólares são feitas para o Tesouro pelo Banco do Brasil, que entra comprando no mercado de câmbio como se estivesse fazendo uma operação para um investidor qualquer. Para o Ministério da Fazenda, essa atuação silenciosa e sem alarde, diferentemente do Banco Central (BC) que anuncia os seus leilões de dólares, garante menor previsibilidade nas intervenções que o governo faz no mercado para evitar uma grande volatilidade (sobe e desce abruptos) da taxa de câmbio.





