A posição da Folha sobre o pedágio
O senhor João Chiminazzo, diretor regional da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, deve avaliar que não é coerente com a verdade sua afirmação de que discussões isentas sobre o pedágio não ocorrerão nas páginas deste Jornal. A Associação sempre contou com espaços, na Folha de Londrina, para dizer tudo o que desejou dizer, inclusive constestando opiniões manifestadas neste Editorial, nas manifestações de leitores e nas reportagens aqui publicadas. Ontem mesmo foi-lhe permitido contestar posição da Folha de Londrina sobre o modelo de pedágio implantado no Paraná, e por extensão no Brasil. Então, não há, neste Jornal, bloqueio para discussões. Os pontos de vista defendidos pela Folha são claros e coerentes: não contra a instituição do pedágio implantado com sucesso em países mais adiantados mas sim contra o modelo adotado no Brasil. Na verdade, o Jornal apenas reflete a opinião dos motoristas usuários de rodovias. Se um referendo popular for feito, se constatará com toda a certeza que a esmagadora maioria dos parananeses (motoristas ou não) se revelará contra o sistema de pedágio que Jaime Lerner permitiu implantar no Paraná. A reportagem de quatro páginas que a Folha publicou domingo atesta, pela observação in loco dos repórteres, que o pedágio no Paraná tem mais custo que benefício. Isto é incontestável, bastando cotejar o quanto se arrecadou por estimativa evidente (porque números oficiais nunca foi possível obter) e o quanto de obras se realizou nestes 8 anos de pedágio. Habilmente, em sua contestação de ontem, o senhor Chiminazzo não se ocupa de coisas fundamentais, mas apenas de questões acessórias. Dizer, como o diretor faz, que nos Estados Unidos o Governo está estimulando rodovias pedagiadas, é óbvio. Foi lá onde a eficiência do sistema mais se evidenciou. Este Jornal tem afirmado que o pedágio foi um grande invento, mas refere-se, sempre, ao sistema de empresas privadas construírem rodovias e depois cobrar pedágio. A isso se chama, adequadamente, privatização. Chiminazzo passa ao largo e não diz como é a relação pedágio/concessionária de lá (e em outros países), em comparação com o que acontece aqui. Também existe, em países adiantados, pedágio só de manutenção até porque velhos contratos já se venceram mas as tarifas nesses casos são baixíssimas. Como são baixas também nos casos da privatização pura. As concessionárias paranaenses nem precisariam estar se defendendo, porque elas foram aprovadas pelo Governo para a concessão, e assinaram contratos que lhes foram propostos. Quem deveria estar no banco dos réus e se defendendo é o ex-governador Jaime Lerner e todos aqueles que, representando poderes na época, deixaram as coisas acontecerem.





