A poluição ambiental e miséria social
É possível preservar o meio ambiente explorando com racionalidade as riquezas naturais, mas já não há condição de continuar com o desmatamento a pretexto de produzir alimentos nas áreas devastadas. Esta é quase uma chantagem, por tocar na questão da fome no mundo, mas tal não ocorre por insuficiência do estoque de comida e sim pela má distribuição. Que remete para a pobreza e para a poluição de mentalidades (de governos e sociedade), tornando mais difícil eliminar as desigualdades sociais.
Tudo se insere num mesmo pacote de conscientização, um atributo humano tão escasso nos tempos atuais. A ânsia de produzir e ganhar desordenadamente, extraindo tudo do solo até exauri-lo, é a grande muralha impedidora do avanço para melhoria das condições de vida no Planeta. Parece que o homem só irá compreender a gravidade desses problemas quando chegar ao ponto de asfixia.
Tudo caminha na direção do caos, e não se trata de vaticínio sinistro mas de realidade, porque o aquecimento global já começou, com reflexos na reação das forças da natureza. Existem muitas correntes despertas, mudando comportamentos e fazendo alertas, aí compreendidos também segmentos da comunidade científica, mas ainda prevalecem as mentes empedernidas que desejam sugar a terra extraindo tudo dela sem critério de preservação. É necessário ampliar áreas de plantio, mas sem desmatar ainda mais porque há terras disponíveis já limpas e sem uso, bastando fazer as necessárias correções de solo. Ademais, a tecnologia permite aumento de produtividade nos mesmos espaços. Uma reforma agrária consistente contemplaria não apenas os colonos sem-terra mas deveria abranger um projeto de aproveitamento da terra nua ainda por explorar. No caso do Brasil, o Governo se também incentiva a produção de energias mais limpas obstina-se por mergulhar nas águas oceânicas profundas para extrair mais óleo. O que, além de significar mais perspectiva de poluição pelo uso desse combustível fóssil, poderá desviar recursos que serviriam à causa de soluções sociais urgentes, como as da saúde e da moradia. A indústria automobilística busca produzir veículos menos poluidores, mas uma medida que tarda é a opção em escala (também pelos ricos) do transporte coletivo.
Degradação do ambiente e das condições de vida de milhões de pessoas são partes do mesmo problema ambiental, porque tudo tem a ver com a sustentação do meio e com a saúde, o bem-estar e a dignidade humana. Cada indivíduo tem responsabilidade no processo de mudança desse estado caótico. Antes de tudo será preciso despoluir as mentes, porque nada melhorará se não for pela impulsão da consciência.





