Diante do cenário econômico que se acenava ao Brasil antes do término de 2014, não foi surpresa presenciar os muitos aumentos de custos de insumos básicos arrolados sobre o setor produtivo, como combustíveis e energia elétrica, além de aumentos em cargas tributárias, o que tornou o Custo Brasil ainda mais pesado para os atores que sustentam a economia desse País.
O que surpreendeu a todos foram as mentiras disseminadas durante a fase de pré-eleições, tanto em relação ao Brasil quanto ao Paraná. Até esperávamos um aumento das tarifas públicas e ultrapassar a meta da inflação, mas não um sequestro do dinheiro pelo aumento da carga tributária em toda a escala produtiva e consumidora do Brasil. Num momento em que também se restringiu o crédito, aumentou-se os juros, criou-se a instabilidade cambial e empobreceu-se as classes B e C.
As consequências estão sendo devastadoras. Há anos a população brasileira contribui fazendo a sua parte, trabalhando e recolhendo tributos para os caixas do governo, o qual gasta dinheiro sem planejamento e sem qualquer comprometimento com o desenvolvimento da nação. Onde está a contribuição desses governos? O que eles estão fazendo para recuperar a credibilidade política, econômica e moral do Brasil?
Os aumentos da energia elétrica que seguem desde novembro de 2014, incluindo agora a bandeira vermelha, são a prova de que não só se tratam de tentativas de salvação das companhias monopolizadas de energia elétrica, mas constituem-se em uma arrecadação abusiva de impostos, principalmente em ICMS, PIS e Confins de forma arbitrária, em todas as esferas.
As práticas de gestão ensinam que os empresários não podem esmorecer e precisam guiar sua tripulação em direção a um roteiro menos turbulento, sem esquecer a sua marca, construída com o esforço de anos e de muitos. Nós temos compromisso com o nosso legado, com os nossos colaboradores, fornecedores e clientes. Usamos o planejamento em tudo o que fazemos, temos meta, planos, missão, visão e valores. Infelizmente, não encontramos nada disso nas esferas governamentais. A política não deixa o Brasil crescer.
O setor de móveis no Paraná, em que estamos inseridos, vem sofrendo ainda mais com o aumento do ICMS. Soma-se a isso o aumento violento do IPVA e os custos do pedágio, o mais caro do Brasil. Com as seguidas altas da energia elétrica, competir com demais estados ficou ainda mais difícil. Empresas instaladas no Espírito Santo e na região Nordeste se beneficiam de incentivos de ICMS na ordem de 90% do imposto estadual. As do Nordeste ainda obtêm incentivo de 75% sobre o Imposto de Renda por estarem em regiões abrangidas pela Sudene.
Além disso, o piso do setor moveleiro pago aos trabalhadores no Paraná equivale ao piso regional do Estado. Na região Nordeste o piso se baseia no salário mínimo, cerca de 20% menor. As indústrias sediadas no Paraná, além de estarem à mercê da atual conjuntura econômica, precisam encontrar maneiras de serem ainda mais eficazes que muitos outros competidores pelo país. É uma luta de Davi contra Golias em um momento trágico da economia brasileira. O Paraná se transformou hoje no maior custo do Brasil para o setor produtivo.
No âmbito das exportações, mais uma situação em que o Paraná perde oportunidades para outras regiões. O Estado recua em investimentos e não oferece infraestrutura para atender à logística das indústrias moveleiras, além de manter políticas fiscais impraticáveis, o que vem levando as empresas a repensarem suas estratégias de exportação e até a mudança de suas instalações para outros estados ou outros países como o Paraguai, onde incentivos e custos são infinitamente menores. Alguém já disse que quem sair por último apaga a luz?

mockup