A política pode garantir nosso gasoduto - Alex Canziani
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quarta-feira, 19 de agosto de 1998
Alex Canziani 
E o gasoduto pode passar pelo Norte do Paraná. Pode? Pode! Essa é a pergunta e a resposta do momento, mas o tema ainda vai ser dissecado por um certo tempo, em que pese a concorrência das campanhas eleitorais.
A vinda de um ramal do gasoduto Bolívia-Brasil extrapola os estudos de demanda e as necessidades técnicas. É sabido que as indústrias de Londrina e região (atuais e futuras) precisam de uma linha do sonhado duto, mas a questão, no momento, tem mais a ver com as vontades políticas.
Grupos empresariais e políticos do Norte e de todo o Paraná mobilizam-se em torno da Petrobrás para a liberação do duto, embora essa luta deveria ter iniciado há pelo menos quatro anos.
Em fevereiro do ano passado, ainda como presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina, a Codel, estivemos correndo contra o tempo para garantir o fornecimento de gás natural para o Norte do Estado. Encontros com diretores da Copel, da Companhia Paranaense de Gás e com executivos da Petrobrás, no Rio de Janeiro, foram realizados sempre objetivando abrir uma nova linha do gasoduto.
Esperamos, sinceramente, que os esforços empreendidos valham a pena, mesmo porque contamos com o apoio do governador Jaime Lerner, da vice Emília Belinati e acima de tudo da população, que cada vez mais está consciente da importância de se obter novas fontes de energia não-poluentes, e até vê com muita simpatia as chamadas indústrias limpas.
Agora, com a possibilidade de se construir uma termoelétrica na região, as chances aumentam, já que a usina seria uma megaconsumidora dessa matéria-prima, inclusive com a possibilidade de ser uma grande âncora em torno da causa. Mas volto a insistir: o caso depende menos de possibilidades técnicas e mais de política.
Com ou sem termoelétrica, o Norte do Paraná precisa do gasoduto, ainda que a demanda mínima de consumo exigida seja de pelo menos 1 milhão de metros cúbicos por dia. O potencial atual pode não atingir essa marca, mas devemos considerar as sábias palavras do professor Sinildo Hermes Neidert, da Universidade Federal do Paraná: Se não há oferta de gás, evidentemente não há consumo.
Como todo bom empreendimento, primeiro temos que investir, para depois obtermos os resultados. Num estudo preliminar, só Londrina tem pelo menos 25 grandes indústrias consumidoras de diferentes fontes energéticas, que supostamente poderiam se servir de gás natural, de acordo com uma recente pesquisa realizada por grupos de empresários locais, com o apoio da Codel.
Estamos conclamando todos os empresários norte-paranaenses para, juntos com o poder público da região, participarem dessa luta. O prefeito Antonio Belinati já deu um passo nessa direção, entregando um requerimento nesse sentido ao presidente Fernando Henrique. O documento, assinado pelo prefeito e por mim, foi entregue em mãos, pessoalmente, durante a recente passagem do presidente por Londrina.
Foi um passo, mas não podemos, como ocorreu em anos anteriores, ficar ciscando em torno da proposta sem nada garantir, mesmo porque um projeto dessa envergadura, como é o caso do gasoduto Bolívia-Brasil, que terá um custo final de pelo menos US$ 1,5 bilhão, pode muito bem ser ampliado, já que o retorno dos benefícios superará os investimentos.
Em princípio, segundo a Petrobrás, o gasoduto terá 3.150 quilômetros de extensão, sendo 557 em trecho boliviano e 2.593 em terras brasileiras. No começo serão transportados oito milhões de metros cúbicos de gás e, em oito anos, a oferta será dobrada. Ora: com todo esse potencial estimado não se pode aumentar mais 400 quilômetros na rede para atender o Norte do Paraná e atravessar todo o Estado, até Curitiba? Nessa hipótese, a necessária injeção de mais recursos para viabilizar o investimento proposto seria compensada em médio espaço de tempo, se considerarmos que o Norte do Paraná vive seu mais rico momento de desenvolvimento industrial.
- ALEX CANZIANI SILVEIRA é vice-prefeito de Londrina e ex-presidente da Codel (Companhia de Desenvolvimento de Londrina)


