A política e a previdência - Eder Augusto de Souza
A política e a previdência
Eder Augusto de Souza
Parece que a política brasileira ainda não descobriu um novo filão de procedimentos: a previdência. O brasileiro, por tradição, é um povo que pouco antes de entrar no mercado de trabalho já está pensando em previdência e, muitas vezes, trabalha a vida toda tentando juntar uma quantia que lhe proporcione uma renda mínima necessária na sua terceira idade, parece não despertar em seus políticos a capacidade de absorção que tem e os impactos que provocam o pensar no amanhã. A política parece que inverte os valores de previdência transformando-os em imediatismo compulsivo, fazendo parecer que todos os setores públicos precisam única e exclusivamente de uma operação tapa-buracos.
Não é por aí que vai se sair dessa. Muitos políticos, astutos e imediatistas, fizeram a gentileza de endividar seus municípios e Estados até anos que, certamente, seus filhos ou netos pagarão impostos para que suas dívidas sejam liquidadas, além de terem promovido uma diminuição abrupta no patrimônio público.
Esse comentário trás logo à idéia de que isso está errado, pois em países desenvolvidos, que prezam a população oferecendo-lhes saúde e dignidade também existem dívidas de longo prazo. Claro! A situação desses países é bem mais confortável, pois enquanto o Brasil intenciona, e algumas vezes não consegue, vender títulos com vencimento para até 180 dias, aqueles países mantêm abertas linhas de créditos superiores a 30 anos.
Enquanto a política brasileira pensar em promover atos que apareçam fisicamente, construindo praças e tomando como norteador de suas ações a repercussão imediata, continuarão os brasileiros sofrendo e passando por dificuldades que vai de necessidade de empregos à miséria total.
O foco tem de ser mudado e a obrigação de comprometer-se com o futuro tem que estar no sangue de cada um dos cidadãos e políticos deste país, pois se tem-se que sacrificar alguma geração para que o futuro de outras seja melhor, que se sacrifique agora mas que se permita ao Brasil também pensar em seu futuro e na dignidade dos seus filhos vindouros.
- EDER AUGUSTO DE SOUZA é empresário e professor universitário em Umuarama





