A política do 'quanto vai sobrar para mim'
O mal é a ocorrência de mais uma denúncia de corrupção na Câmara de Londrina, e o bem é que está havendo investigação e (rememorando histórias recentes na mesma Casa) com punições. Quanto a esse aspecto a cidade levanta bandeiras de vitória e dá exemplo. No caso do vereador ora denunciado, é seguida a mesma trilha na busca de chegar-se à elucidação do que ocorre, por mérito do Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado e da coragem de quem denuncia e de quem testemunha.
Apurar acusações de corrupção no meio político é sempre difícil porque quem comete desmandos o faz na clandestinidade, embora isto também possa ser trazido às claras se uma das partes não aceita propostas desonestas e denuncia. Assim foi com as histórias vergonhosas do ano passado, na mesma Câmara, marcada por duas dezenas de ações envolvendo metade do corpo legislativo. Como resultado, vereadores foram afastados e outros não foram reeleitos.
A frase ''quanto vai sobrar para mim'' é atribuída ao modo como o vereador denunciado teria perguntado a um empresário da construção civil, num caso dependente de aprovação de projeto na Câmara. ''As provas são robustas, porque não é só a vítima falando do que ocorreu, mas há toda uma sequência de fatos confirmados pelas pessoas ouvidas'', declara a promotora Leila Voltarelli. Enquanto as investigações correm, a Câmara também aciona a assessoria jurídica, e os desdobramentos resultarão em informações que serão repassadas à mesa da Casa. O processo então poderá ser encaminhado ao plenário, que tem soberania para tomar uma decisão. Cassação de mandato e detenção são as penalidades previstas no regimento da Câmara e no Código Penal. O acusado - que é vereador novato, eleito no ano passado - está sendo ouvido e nega as acusações. No caso, há um encadeamento de evidências que pesam bastante contra o acusado.
Denúncias contra vereadores, no mais dos casos, vinculam-se ao pedido de dinheiro (às pessoas interessadas) para aprovar projetos. O presente episódio tem a ver com a construção de casas populares com verba do Ministério das Cidades. Ressalte-se, deste turvo acontecimento, uma marca que se tornou forte em Londrina, que é a de denunciar, de a sociedade organizada se manifestar, de as autoridades agirem e de corruptos serem afastados. Se delitos do gênero se repetem, isto não invalida as lutas contra. Os resultados benéficos que já aconteceram o atestam.
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