A política do abraço
A política do abraço
Iveti Ulian Albuquerque
O momento político nacional põe em evidência crise de toda ordem, assustando os brasileiros que desejam viver com dignidade e sonham com um país sério. O nível de corrupção, desordem e conchavos entre os poderes que os sustentam, tornam o próprio poder desfigurado, não deixando perspectivas salutares e promissoras econômicas, sociais e culturais às novas gerações. Desalentados e sem esperanças, os jovens procuram oportunidades em outros países, satisfazendo ao menos o desejo de trabalhar e ter remuneração adequada às suas necessidades, adiando seus sonhos para um futuro que não esse posto atualmente pelo nosso País.
Não se pretende estimular a emigração de jovens, quer para a Europa ou Estados Unidos, mas, que dizer a eles quando indagam que não é possível acreditar em ninguém? Que a política é uma vergonha? Os políticos em sua maioria são dignos, têm caráter definido, honram a função que exercem?! É difícil oferecer exemplos, aos jovens, que os façam mudar de opinião acerca da política e dos políticos. Não é impossível, tampouco possa acontecer a curto prazo: a mídia, formadora de opinião, encarrega-se de nivelar a informação por baixo. O fluxo das informações, despejadas num rápido apelo à imagem, é tão forte que mais desinforma do que contribui para orientar e estimular as pessoas quanto às atitudes a serem tomadas para mudar o rumo desse País, tão singular, inigualável e desejado por muitos estrangeiros para aqui construírem uma vida, um futuro, ao contrário de muitos brasileiros, que sequer acreditam no próprio País e em seus dirigentes.
Tarefa árdua, mas necessária, é a das pessoas da terceira idade. Estes devem oferecer aos jovens argumentos pautados por princípios éticos, morais e espirituais conquistados não nas Igrejas, nas academias, ou com os títulos, mas aqueles vividos cotidianamente cuja experiência é a própria vida e a fé na força superior, Deus.
Pode-se questionar: a educação, a escola não podem fazer isso? Ledo engano! Ler livros é importante, mas bons livros daqueles que se editam cada vez menos, aqueles que não servem para transfigurar a opinião da massa popular, mas para informar já são cada vez mais difíceis, a não ser nas editoras independentes. Cabe também refletir e aprender com a observação da natureza, enquanto ela ainda existe, porque a médio prazo, pode sofrer profundas transformações! A ambição e a cobiça sem limites podem levar o homem a cometer essa insensatez e estupidez de tornar a natureza inexistente. Isto também é válido para a política, é possível através das ações corruptas, levianas e demagógicas, sem cunho social, extinguir a política a partir dela mesma.
Como tudo na vida, a mídia também tem dois lados: o bom e o ruim. Depende do modo da gente ver e sentir! O jurista capixaba João Batista Herkenhoff, na sua infinita sabedoria e humildade assevera que a melhor maneira de assistir à televisão é em pé. Acrescento que se deve estar ainda de queixo levantado e dedo em riste, com uma grande capacidade de indignação.
Não está muito longe o tempo que pela mídia soubemos que o sociólogo, doutor e professor Fernando Henrique Cardoso, comera buchada de bode mesmo detestando, andara de burro ou jumento, num ritual político que o garantisse no Poder, para governar nosso País!
Do que vemos pela mídia, mas também do que observamos nos mais diversos lugares, onde comumente os políticos gostam de estar: troca de abraços efusivos com cidadãos, que de tão forte os impedem de falar, a mão espalmada tantas vezes nas costas sem parar de bater, os elogios que um político representativo faz ao outro em vias de receber representatividade.
Tudo não passa de um ritual demagógico e eleitoreiro, com o fim precípuo e temporário de elegerem-se, pois logo após finda a época eleitoral as Marias, os Josés, os Joões, os Antônios se tornam inexistentes, já não mais se apertam mãos, tapeam-se as costas, tecem-se elogios... Caros leitores, não basta só ver. É preciso sentir e inquirir-se como tudo isso funciona no imaginário popular.
Não só as gerações mais jovens estão desalentadas, as de meia-idade também. O que não dizer daqueles que já foram denominados como vagabundos? Pois é! É preciso um basta a essa demagogia, a essa corrupção, a essa impropriedade, a essa improbidade... Chega de políticos jovens e atléticos, a la Collor, exibindo-se apelativamente, chega de políticos desses que comem buchada e andam em jumento mesmo com repulsa, chega de parlamentares que viajam de jatinho governamental, chega de juízes que traficam sentenças, chega de políticos que em época de eleição inauguram grandes obras públicas.
Faz-se necessário que o povo brasileiro acorde, compare, reflita, e que tome cuidado para não acatar demagogia eleitoreira por honestidade, obras públicas em época de eleição por trabalho político, promessa por compromisso, juventude por agilidade executiva, velhice por experiência... Em tempos de eleição proporcional e majoritária, todo cuidado é pouco, já dizia Kant que duas sãos as coisas mais difíceis de se fazer: a arte de educar o povo e a de governá-lo.
- IVETI ULIAN ALBUQUERQUE é professora universitária em Cárcares (MT)





