A política como meio de enriquecimento
O noticiário de ontem das páginas de política deste Jornal demonstra que os parlamentares não se emendam e, aparentemente, não têm conserto. ''Extras de parlamentares engordam remuneração'', é um dos títulos, mostrando levantamento feito pela FOLHA DE LONDRINA e os ganhos exorbitantes desses políticos. Um deputado estadual no Brasil pode ter direito a receber até 7 vezes mais que o seu subsídio mensal (em torno de R$ 12 mil), revela a jornalista Catarina Scortecci, da sucursal de Curitiba. Esses extras - que se convertem no principal, tamanho o volume - estão na rubrica de ''despesas de gabinete''.
São as tais verbas de apoio ao exercício do mandato e que, somadas, fazem da atividade política uma rendosa profissão (sem cobrança de retorno por ninguém) e um meio de enriquecimento - que só não é ilícito porque instituído por lei, pelo próprio sistema, mas imoral. Não há praticamente controle desses gastos, alguns pagos mediante notas fiscais. Segundo o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília e citado na reportagem, ''ninguém vai atrás para verificar se as notas são verdadeiras''. No caso do Paraná, conforme outro cientista político - Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná - não há qualquer informação no site da Assembléia Legislativa sobre salários, benefícios e contas dos parlamentares. Se a informatização na Casa é precária (até porque não deve ser de seu interesse modernizar-se e levar ao conhecimento do público essas coisas), a atualização quanto aos ''direitos'' a todos os ganhos está up to date.
Enquanto isso acontece, três deputados-secretários de Estado continuam recebendo as mesmas verbas de gabinete da Assembléia, no Paraná. A explicação é simples: trata-se de uma velha tradição. Também no noticiário de ontem há outra manchete informando que uma proposta de emenda constitucional objetiva aumentar o número de vereadores no Brasil, embora sob o argumento de que haverá, por outro lado, redução de gastos. Alguém acredita? Se aprovada, essa proposta anula a resolução do Tribunal Superior Eleitoral de 2004 que extinguiu mais de 8,5 mil cadeiras nas câmaras municipais.
As notícias ruins não param aí, porque os dados disponíveis mostram que o custeio da máquina pública aumentou nos anos do Governo Lula. A assessoria do Ministério do Planejamento defende-se, dizendo que ''o custo da despesa não deve ser medido pelo custo em si mas pelo que dá de retorno ao cidadão''. A população não vê esse retorno na forma propagandeada pelo Governo gastador, desperdiçador, pouco operante e maculado por corrupção.





