A polêmica sobre preferências na compra dos jatos
Os senadores da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional não se convenceram do que disse em seu depoimento o ministro da Defesa, Nelson Jobim, em favor da preferência do presidente Lula pela compra dos jatos de caça franceses ao invés dos norte-americanos ou dos suecos. O modelo francês Rafale - que até agora nenhum outro país desejou comprar - seria mais caro que aqueles outros e com custo das horas de voo mais elevado.
Essa predileção tem sido demonstrada claramente por Lula, à revelia de consultar a Força Aérea Brasileira, que abrira uma concorrência técnica para aquisição de aeronaves mas, segundo o senador Sérgio Guerra, do PSDB, ''foi jogada no lixo''. Conforme as denúncias, a FAB nem está sendo consultada nessas demarches para aquisição dos caças (mais de três dezenas deles), porque as negociações iniciais foram feitas diretamente entre os presidentes Lula e Nicolas Sarkozy, da França.
Um acordo militar entre os dois países está previsto para ser assinado na próxima semana, e aí está incluída a compra dos jatos. A questão polêmica em discussão gira em torno de custos, eficiência e transferência de tecnologia, esta prometida por Sarkozy em sua visita ao Brasil no último dia 7, enquanto a transferência oferecida pelos norte-americanos deixa pontos de dúvida, conforme Jobim. A Dessault francesa disponibiliza os caças Rafale, os Estados Unidos os F-18 e a Suécia os Gripen. Quanto à parte técnica, os três se equivalem, mas o ministro da Defesa declara desconfiar que, no caso dos EUA, não seja transferida toda a tecnologia, mas apenas ''a necessária'', e esta não ficou clara. Ao menos quanto às especulações, está travado um combate aéreo, por tratar-se de um negócio de elevado valor. Por ora as posições têm sido políticas, porque os estrategistas da FAB não foram consultados e Lula parece arrogar-se o direito de escolha. O Brasil demonstra interesse em deslocar-se um pouco do eixo norte-americano e em buscar também outros parceiros, não só na questão da segurança, mas também de outros negócios.
Um questionamento, porém, é o grande investimento em tal compra (que compreende também outros itens pesados), que se agrada ao sistema nacional de defesa remete para urgências mais relevantes, como a moradia popular, a melhoria dos atendimentos de saúde, a segurança nas cidades (que independe de jatos de caça) e a recuperação de rodovias, da malha ferroviária e dos portos. Lula mencionou que esses aviões e outros arsenais constantes do acordo seriam destinados a policiar as zonas do pré-sal - que não necessitam disso - esquecendo-se da proteção à Amazônia e das faixas das fronteiras por onde entram drogas e armas clandestinas.





