A polêmica sobre as sacolinhas plásticas
Uma invenção sessentona está tendo sua utilidade amplamente discutida: as sacolas e sacos plásticos usados para acondicionar, principalmente, compras nos supermercados. Muitos dizem que as sacolinhas deveriam ser banidas do mercado por conta do perigo que representam ao meio ambiente. Outros apontam que seu processo fabril gera empregos, divisas e outros benefícios que deveriam ser levados em conta no debate.
A polêmica ganhou intensidade por conta da atitude paulista de tentar diminuir o uso das sacolas plásticas nos supermercados. Na última quarta-feira entrou em vigor o acordo que o governo de São Paulo fechou com os supermercadistas: as lojas deixam de fornecer as sacolinhas gratuitamente e o consumidor que quiser terá de comprá-las ao preço unitário de R$ 0,20. A adoção da medida é facultativa, mas a expectativa é que ao menos 95% dos estabelecimentos participem da iniciativa.
No Paraná, um projeto de lei que previa o uso apenas de sacos e sacolas biodegradáveis pelo comércio foi vetado pelo Governo do Estado. O Executivo prepara um outro projeto que pretende substituir gradualmente as sacolas, de modo a evitar demissões na indústria.
A cruzada contra as sacolinhas tem relação com os custos ambientais que ela gera, desde o seu processo de fabricação - que demanda alto consumo de energia e de água - até seu descarte.
O saquinho plástico é um derivado de petróleo, uma substância não renovável, que pode demorar até 300 anos para desaparecer no meio ambiente. No Brasil, o consumo mensal de sacolas plásticas é de cerca de 2,5 bilhões de unidades.
Na imensa maioria das vezes, todas elas acabam sendo dispensadas nos aterros sanitários das cidades. Juntas novamente, elas representam quase 10% de todo os resíduos acumulados nestes locais. Quando não são utilizadas para acondicionar o lixo doméstico e captadas pelos sistemas de coleta, podem entupir bueiros e contribuir com alagamentos e enchentes.
Por outro lado, representantes da indústria do plástico criticam que a substituição das sacolas por bolsas não descartáveis ou por caixas de papelão oferece risco à saúde do consumidor, pois estes recipientes podem ser contaminados com facilidade. Lembram ainda que 100% do plástico é reciclável e está em milhares de outros produtos, como computadores, utensílios usados na área da saúde e até na fabricação de veículos, onde contribuiu para a redução na emissão de CO2, gás causador do efeito estufa.
Ante os prós e contras do plástico, cada um pode fazer as contas e descobrir: quantas sacolas plásticas consome por mês e quantas precisaria, de fato, levar para casa? Mudar não é só trocar uma coisa por outra. Mudar é também uma questão de consciência. Consumir não é apenas uma questão de comprar ou não comprar. Consumir é também uma questão de consciência.





