A polêmica sobre a lei do silêncio
Por costume nacional, no Brasil os bares, restaurantes e boates ficam abertos até de madrugada e alguns amanhecem o dia. Os clubes sociais promovem festas que começam às 23 horas e vão até 5 da manhã. Óbvio que esse alongado expediente gera barulho, originado do vozerio das pessoas e da música e percussão altas. Onde há bares há bebida alcoólica e ninguém pode contestar que muitos que bebem têm propensão para discutir e brigar. Por isso que nos países mais adiantados tudo fecha às 23 horas, ou antes.
No Japão, incluindo a movimentada capital, Tóquio, nada fica aberto depois das 10 da noite. As festas, recepções, solenidades, começam invariavelmente às 18 horas e têm a suficiente duração de 4 horas, não passando um minuto sequer das 22 horas. Em Londres os conhecidos pubs baixam as portas pontualmente às 23 horas. E na maior cidade do mundo, Nova York, depois das 22h30 só ficam abertas as pizzarias da Broadway, pequenas casas de shows e o Greenwich Village, que é um bairro de bares e restaurantes. Mas sem barulho abusivo.
Quem vai à movimentada Seul, na Coréia do Sul (uma moderna cidade com 10 milhões de habitantes) sabe que depois da meia-noite não só é proibido algum estabelecimento aberto mas as pessoas encontradas nas ruas são interrogadas pela Polícia. A razão é uma questão de cidadania: de manhã todos têm de levantar-se para o trabalho. Não por acaso a Coréia é um dos países mais prósperos do mundo e Seul é uma metrópole tranqüila.
No Brasil as cidades grandes fazem a festa dos visitantes e dos moradores mais festivos porque mantêm bares, restaurantes, clubes sociais, funcionando até adiantada hora. Mas tocando música, promovendo barulho e perturbando a vizinhança, que já nem se julga possuidora do direito ao silêncio. De segunda a quinta, fechando às 2 da madrugada, para Londrina está bom - declara a este Jornal Arnaldo Falanca, presidente da representação local da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, que acaba de se instalar na cidade. Não é ele que deve dizer o que é bom, e sim a comunidade. Duas horas da manhã é horário de dormir para os que trabalham.
Nesses estabelecimentos e nos clubes sociais (que também alugam as instalações para eventos), a música alta é outro transtorno. Os músicos, se precisam trabalhar, devem saber que não são o espetáculo de uma festa e apenas um complemento. Por isso o som deve ser baixo, permitindo que as pessoas possam conversar. Todas essas coisas levam a um estudo mais aprofundado da questão da lei do silêncio, sem prejudicar essas casas comerciais que, convenhamos, geram empregos, recolhem impostos e movimentam um pequeno segmento da economia.





