A polêmica eleição no Congresso
As duas principais casas legislativas do País Senado e Câmara Federal -, mesmo em recesso, voltam a chamar a atenção do País não por matérias de interesse da sociedade brasileira, mas pelos nomes ventilados para assumir seus comandos. As eleições para a escolha das mesas diretoras acontecem no início do próximo mês. E, para surpresa geral, os mais cotados para liderar as duas casas são o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Henrique Alves (PMDB-RN). Ambos alvos de denúncias de corrupção.
Calheiros é figura carimbada na política nacional. Já presidiu o Senado e foi obrigado a renunciar ao cargo em 2007 para evitar sua cassação. O senador alagoano teve o nome envolvido em diversos escândalos. Foi acusado de ter contas particulares pagas (pensão alimentícia da filha que teve com uma jornalista fora do casamento) por um lobista e de usar laranjas" para ocultar patrimônio. Agora, novamente a mídia traz denúncias contra Calheiros. Segundo reportagem da revista Época, ele teria usado parte de sua cota parlamentar para beneficiar uma empresa que pertence ao marido de uma assessora de seu gabinete. Como em 2007, o senador nega as acusações.
A lista de acusações contra Alves também é extensa. A mais grave aponta suposto favorecimento de empresa de um ex-chefe de gabinete, contratada para executar obra paga com emenda parlamentar do próprio deputado. Dois dias após a acusação, o funcionário pediu exoneração da Câmara Federal.
Em que pese as sérias acusações, Alves e Calheiros devem seguir incólumes até a eleição já que ambos têm apoio da grande bancada de sustenção do governo federal representada pelo gigante PMDB e o PT, partido da presidente Dilma Rousseff que tem interesse em manter a liderança nas duas casas.
No entanto, ainda há tempo de cobrar mais seriedade e exigir que os escolhidos tenham ficha limpa. A sociedade espera que o ar de mudança trazido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão, no ano passado, com a condenação dos principais envolvidos, também se estenda para os poderes Executivo e Legislativo. E essa mudança passa necessariamente por mais ética e transparência na escolha de nomes para cargos tão importantes como a presidência do Senado e Câmara.





