É pertinente a proposta do senador Gerson Camata, do PMDB do Espírito Santo, de que nos volantes das lotos conste o CPF do apostador. Para que, quando houver o anúncio de um ganhador, sua senha fiscal seja publicada e ele possa ser identificado e conhecido de todos. Pela proposta, o sistema é modificado, estando aí implícito que não haverá segredo de quem seja o vencedor ou vencedores do grande prêmio e de que eles existem. Se o apostador teme anunciar que ganhou uma grande bolada, pelos riscos e incômodos inerentes, não deveria apostar, mas se é beneficiado pela sorte, também deve expor-se às conseqüências. São raros os casos de identificação do ganhador, a não ser que ele o permita. Ressalve-se, contudo, que as pessoas têm total direito de manter-se anônimas, o que acaba criando impasse para a adminsitraçao da CEF.
  O jornalista Cláudio Humberto, que escreve para uma rede de grandes jornais brasileiros, inclusive esta FOLHA, tem feito alusão a possíveis manipulações no âmbito do sistema. Esse sistema de jogos, que têm sorteios quase diários e conta agora com o acréscimo da timemania, é uma instituição pública e não deve ocultar nada. Para ciência de todos, deveria ser propagandeado que o nome do vencedor e seu CPF serão divulgados, e assim quem aposta saberia de antemão que, se tiver a sorte de ganhar, terá sua identificação revelada. Se os nomes de todos os ricos do mundo e inclusive do Brasil são publicados sem restrição, não faria diferença anunciar mais alguns. Isto eliminaria desconfianças como as lançadas freqüentemente pelo jornalista citado. Se um ganhador corre o risco de ser extorquido ou passar por outros assédios, o mesmo ocorre com qualquer cidadão endinheirado que todos conheçam.
  Por outro lado, não se imagina que alguém iria falsificar o número de seu CPF, sob pena de não receber o prêmio. O projeto do senador apenas propõe mais transparência. Os jogos bancados pelo pode público movimentam grandes somas e não deixam de ser uma forma de voluntária tributação, porque é dinheiro desembolsado pelos cidadãos, por isso devem ter transparência total, inclusive com a divulgação do nome do ganhador e mais de seu CPF.
  Se a instituição dessa modalidade de jogos tem também finalidade social, conforme o escrito no verso dos volantes de aposta - daí dizer-se que as lotos são um modo indireto de imposto - deve ser de seu interesse que tudo ocorra com a maior clareza, sem dar margem a desconfianças. Se elas existem, precisam ser dissipadas.

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