Dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo primaz e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, foi mais moderado ao falar do Governo Lula em entrevista coletiva, ontem em Londrina onde esteve para a posse do arcebispo Orlando Brandes mas deixou implícita a sua já conhecida crítica ao que considera falta de ações sociais da administração petista. De sua vez, o Núncio Apóstolico Lorenzo Baldisseri, que veio para presidir a cerimônia na qualidade de autoridade maior da Igreja Católica no Brasil ressaltou que os eleitores precisam escolher políticos honestos nas eleições que se travam em outubro. Talvez a Igreja já esteja exausta de tanto falar da baixa operância governamental e da corrupção que tem assolado a pátria brasileira, em todos os governos. E que não foi diferente no atual, justamente este que acenava com esperanças de tempos melhores, pela origem operária do sindicalista hoje Presidente. O momento de ontem em Londrina, estritamente vinculado a um ato de administração nas hieraquias da Igreja, talvez tenha sido reservado mais para reflexões sobre questões de doutrina e fé, por isso o tom reticente das duas autoridades eclesiásticas. Dos titulares da Nunciatura pouco se tem ouvido acerca de posições sobre a vida pública nacional, mas a CNBB tem sido vanguardista em levantar bandeiras, sobretudo em defesa dos mais fracos e contra negligências e desmandos dos governos. Dom Geraldo Agnelo tem sido ácido em suas avaliações sobre a decepcionante gestão do presidente Lula, e esta postura reflete o pensamento da maioria dos cidadãos conscientes deste país. A população não dispensa esse papel da Igreja, que não precisará necessariamente eleger representantes para os parlamentos e para funções executivas, pois dispõe da poderosa tribuna representada pelos púlpitos, e de platéias atentas e leais. O Núncio Apostólico manifestou-se contra a fórmula de padres-candidatos, mas a presença da Igreja é marcante na história política brasileira, pela posição sempre clara com vistas à solução das questões da pobreza, da exclusão social e de toda a forma de injustiça. Essa posição manifesta-se pela palavra dos seus sacerdotes e especialmente dos bispos da CNBB vozes que de sua vez emanam do pensamento universal da Igreja Católica e, mais intensamente, de seus papas nos últimos cinquenta anos. O arcebispo Orlando Brandes deu toque regional a um de seus propósitos de trabalho ao proclamar, no final de seu discurso de posse, que Londrina, hoje assolada pela violência conforme o informaram e outrora Capital do Café, será a Capital da Paz. Valorosas palavras, com as quais a população precisa fazer côro, acompanhando os passos do novo chefe da Igreja e auxiliando-o, nesta e nas demais missões que ele terá pela frente.
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