A pobreza da campanha
Pelo que se viu até agora a campanha eleitoral deve ser de uma mediocridade olímpica. Não será certamente, como propõe o senador Osmar Dias, assumindo postura de estadista, não encontrável no seu irmão com mais votos e devotos, um debate de idéias e propostas capazes de corrigir a trajetória do modelo, tanto o nacional quanto o estadual que de certa forma o decalca.
Não teremos mais o clima das eleições de José Richa e de Alvaro Dias que marcaram um estilo, o da busca em sentido capilar da participação e quando o PMDB era uma federação de frentes que ia do ultravioleta da extrema direita ao infravermelho da ultra esquerda, algo bem mais solto e espontâneo do que o observado no PT de hoje com as tendências hibernadas. A repetição das mesmas figuras e dos seus discursos insuportáveis, a retórica pegajosa (eles queriam que beijássemos o chicote que nos vergastava) diante da qual dá vontade de chingar a mãe do orador por havê-lo trazido ao mundo - enfim um quadro assustador.
MASSA CRÍTICA E não é por falta de assuntos que não se possa dispor de massa crítica para nutrir o processo. Um deles seria o da decantada independência que teríamos alcançado relativamente à polarização paulista com o complexo automotivo que também não é o segundo do Brasil porque perde do da Fiat em Minas, como já esclareceu o metalúrgico Sérgio Butka. Outra a nossa má posição quando se busca o Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, no cruzar dados econômicos e sociais e aí perdemos no sul de gaúchos e catarinenses, apesar de termos evoluído em alguns campos como o da escolaridade, expectativa de vida e mortalidade infantil.
Essa idéia de Osmar Dias de mudar o modelo na perspectiva do emprego (e é sabido que o tipo de industrialização adotado no Paraná é poupador de mão de obra, agregador de tecnologia e intensificador de capital) e na adoção de políticas sociais compensatórias, desde que bem fixada e levando em conta a realidade das nossas dependências externa e interna, rompe com a aridez de um cenário em que simplesmente se discute o primado moral e comportamental.
O governo perdeu o mais qualificado dos debatedores com a saída de Miguel Salomão em seu retorno para funções no FMI. O que o Rafael Greca faz de agito na área partidária, Miguel fazia a qualquer indicador, fosse do IBGE e do Dieese que eventualmente nos colocasse mal e também exagerava sugerindo, por exemplo, que superaríamos em breve o Rio Grande do Sul em renda interna.
A MEDIANIA As candidaturas até agora colocadas parecem comprometer um ideário, mesmo que seja razoável. Os estilos são conhecidos, as figuras desgastadas. E também caminhando para o fenômeno da entropia o próprio governador Jaime Lerner, afinal o primeiro em nossa história a desfrutar da reeleição e por isso mesmo diante de um horizonte largo para o tal fazer acontecer, a que tanto se refere em seus discursos reticentes. Em oito anos é possível mudar a história de um país. Não poucas sociedades o conseguiram. Até que ponto estacionamos no tempo em tão largo cronograma?
SAQUE ENGENHOSO A tal consulta à população que o governo está fazendo, algo que jamais fez parte do seu estilo e do grupo na prefeitura da Capital ou no Estado, abre um caminho à oposição para mostrar os furos do desenvolvimento paranaense dos últimos anos. Isso pode ser detalhado em perdas de cada uma das regiões geoeconômicas. Mas é preciso estudar, o que não parece constituir-se em hábito dos nossos partidos e respectivas fundações doutrinárias.





