A planta-piloto da biomassa em Maringá
Enquanto os escândalos da corrupção política semeiam indignação e descrédito, órgãos do mesmo sistema governamental e instituições públicas de ensino e pesquisa se movimentam, impulsionados por bons projetos e por ideais. É o caso revelado por reportagem de ontem deste Jornal do programa conjunto da Petrobras e da Universidade Estadual de Maringá (UEM) para desenvolver tecnologia capaz de transformar cana-de-açúcar (a biomassa) em combustível líquido. Essa planta-piloto que pode se instalar nas próximas semanas será a primeira do gênero no Brasil, e entusiasma saber que será no Paraná e próxima dos canaviais e de usinas processadoras de cana. Estudo como este compõe os saltos de qualidade que se verificam no País, e conta caso da UEM com a participação ativa dos professores de Engenharia Química, assim como da Divisão de Gás a Líquido da Petrobras. Simultaneamente, a Prefeitura leva adiante a implantação do Tecno-Parque de Maringá, visando atrair empresas de alta tecnologia, e convidou a estatal a instalar a planta-piloto nesse local. Tudo se encaixando nesse programa de parceria, para transformar idéias, ideais e conhecimentos em realidade. O engenheiro-químico da Petrobras, Eduardo Falabella Aguiar, afirma que a chance é grande de o projeto concretizar-se, porque as condições técnicas são muito boas. E porque é de interesse também da empresa petrolífera brasileira avançar nos projetos de aproveitamento de energias alternativas e renováveis, como visão presente e futura, porque um dia as reservas de petróleo findarão, no mundo. Já no ano passado a empresa criou a Gerência de Gás a Líquido, coordenada por Falabella, visando desenvolver, dentro de cinco anos, a substituição do carvão por outras fontes de carbono, utilizando como matéria-prima o rejeito das usinas açucareiras e alcooleiras. Esse programa conta com a participação de uma rede de laboratórios de pequisas, incluindo outras universidades brasileiras, tendo os estudos coordenados a partir da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A revelação do projeto de Maringá é uma boa notícia e robustece o avançado desenvolvimento do Norte do Paraná não apenas na agricultura mas também na agroindústria. O resultado de todo esse trabalho de pesquisa, e, afinal, do aproveitamento generalizado da biomassa, será mais desenvolvimento econômico, mais garantia futura de sustentação energética, mais frentes de trabalho e um meio ambiente mais limpo.





