A opinião é de leitores deste Jornal e está numa das respostas da coluna ‘‘Fala, Cidadão’’. Uma mulher entrevistada diz que todo mês compra DVDs para a filha, e opta pelos bem baratos - que são obviamente os pirateados - exemplificando que um deles (original), da Barbie, custava nas lojas tradicionais R$ 42 e ela foi adquiri-lo por apenas R$ 2 no camelódromo. Percebe-se que a diferença é muito grande, por isso estimuladora da compra do produto que está mais em conta. Se o comércio clandestino é irregular, também o legalmente estabelecido exagera no preço, em muitos casos.
Outro exemplo constatado pela FOLHA é que o disco de um cantor religioso era vendido nas lojas por R$ 25, mas podia ser adquirido nos vendedores de rua por apenas R$ 5. Diante da concorrência, o original (segundo o lojista) acabou sendo baixado para R$ 7 (e se isso foi feito é porque era possível) e assim as vendas aumentaram. Como o material utilizado para o original e o pirata é o mesmo (no caso dos DVDs), o imposto pago não chega ao ponto de justificar tamanha diferença de preço. Dessa forma, os que operam na legalidade acabam dando estímulo à corrida para os produtos piratas. Se as autoridades fiscais agem dentro da lei e os comerciantes recolhedores de tributos estão cheios de razão quando protestam contra a venda de cópias indevidas, deveria haver um ponto de equilíbrio nos preços. Não tão baixos e nem tão altos. Se ainda assim a pirataria irá continuar - porque ela existe em todos os países, incluindo os mais adiantados, e não há quem consiga eliminá-la - ao menos recuperaria muitos dos consumidores mais propensos a comprar na legalidade. Um murmúrio freqüente do povo - e basta as autoridades ficarem atentas para escutar - é que se contribuir com o imposto é necessário, também lamenta estar entregando dinheiro para um sistema governamental esbanjador e corrompido.
Esse clamor popular é uma realidade e não pode ser negada, mas é uma triste realidade constatar-se as duas coisas: o abuso nos gastos do poder público e a corrupção, que parecem não cessar nunca, porque é um escândalo atrás do outro; e a situação a que chegou o povo ao lamuriar-se, com razão, pelos impostos que paga sabendo que parte desse dinheiro tem desvios escusos, quando pagar a cota de tributação deveria ser uma atitude consciente e voluntariamente aceita. A pirataria, se é o ganha-pão de muitos neste país de baixo desenvolvimento e desemprego, e uma forma de burla - mais perigosa quando lida com medicamento falsificado, bebida e alimento - reúne componentes que precisam ser avaliados. Baixar preços dos produtos originais é um caminho e seria uma maneira de o sistema comercial prejudicado contribuir para a defesa do seu próprio negócio.

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