A Petrobras é nossa, sempre!
A história da construção da Petróleo Brasileiro, ou simplesmente Petrobras, é rica em ensinamentos de como se forja um movimento em defesa da soberania nacional. Uniu, no início da década de 50, organizações democráticas de todos os espectros ideológicos, entre as quais, os sindicatos de trabalhadores do campo e da cidade e a União Nacional dos Estudantes (UNE), que desempenharam papéis preponderantes nas mobilizações em defesa de nosso petróleo e de nossa autonomia como Nação.
Para consolidar a Petrobras como símbolo de nossa grandeza, foi investido o suor de várias gerações de brasileiros e brasileiras. Mas valeu a pena. A empresa anuncia regularmente, hoje, novos recordes: lucros e mais lucros; detemos a melhor tecnologia para prospectar petróleo em alto-mar e estamos próximos da auto-suficiência nos derivados consumidos no País; pesquisamos e desenvolvemos cientificamente alternativas energéticas, preparando-nos para enfrentar possíveis colapsos com a escassez do combustível fóssil em um futuro muito próximo.
Mas recentemente, algo de estranho ronda a Petrobras. Começaram a aparecer também recordes negativos antes nunca vistos. Vazamentos de óleo em baías e rios que comprometem seriamente o meio ambiente sobretudo a sociedade, a vida dos cidadãos. Os responsáveis? São os que determinam a redução de trabalhadores qualificados na linha de frente da produção e da manutenção na indústria petrolífera. O lucro a qualquer custo, nesta caminhada errante e perigosa, tem um preço altíssimo.
Os oportunistas que se definem como sendo modernos aproveitam catástrofes ambientais como essas para defender a privatização da Petrobras. Julgam eles que, desmoralizando e desacreditando a empresa perante a opinião pública, taxando-a de incompetente, conseguirão levar a cabo seu intento. Ledo engano. Por ser considerado um problema estratégico para a soberania nacional, o petróleo, mais uma vez, levantará as vozes e as bandeiras do povo em mais um movimento patriótico, a exemplo das gerações passadas. Pois, tais vazamentos da vida só serão estancados quando tivermos um projeto político, econômico e social alternativo ao que aí está. Ou seja, uma alternativa palpável à badalação globalizante e neoliberal tidos como inevitáveis.
E é para conter os ímpetos privatistas que a Comissão Mista do Crea-PR foi formada. Com a participação de mais de 30 entidades da sociedade civil organizada, a comissão tem o objetivo claro de apurar as causas e consequências dos acidentes ambientais provocados pela Refinaria Getúlio Vargas (Repar), instalada em Araucária.
Cabe a ela indicar ações que visem reparar danos e exigir a implantação de medidas compensatórias à sociedade, assim como medidas de prevenção de acidentes e o controle social dos empreendimentos de risco ambiental. Portanto, temos objetivos bem opostos daqueles que querem internacionalizar a Petrobras com a privatização.
Achamos que a Petrobras, por ser uma empresa pública, tem que dar o exemplo na preservação do meio ambiente. Puxaremos a orelha, no entanto, como se fosse de um filho, quando for necessário. Quem poluir e causar danos ambientais terá que pagar por isso.
A Petrobras pode bater novos recordes de excelência em todas áreas em que atua, desde que observe o preceito básico de que a máquina não substitui o homem, de que o olho da automação é mais falho do que o olho humano. Só assim o Brasil gritará orgulhoso: a Petrobras é nossa, sempre!
- LUIZ ANTONIO ROSSAFA é presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR)





