A perda do desejo
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de julho de 2002
Moacir costa 
Hoje, a mulher tem vários papéis e múltiplas atribuições em uma sociedade ultracompetitiva. É mãe, profissional, dona de casa, amante, esposa. Concilia questões domésticas com conflitos do trabalho, sai de uma reunião para buscar o filho na escola e pode, algumas horas depois, estar com o marido em um compromisso social. Precisa se apresentar bem no escritório, estar presente na educação dos filhos, ser uma amante fogosa, uma profissional competente e talentosa.
Não é à toa que, ocasionalmente, as mulheres passam por períodos de baixa libido. Muitas perdem o desejo de transar com o companheiro. A questão se complica quando a redução do desejo vira uma constante na vida a dois. Se o problema for físico, uma visita ao ginecologista ajuda. Mas nem sempre essa é a única solução.
Quando o desejo diminui de repente há sempre um porquê. A pessoa que perde o emprego, por exemplo, tende a sofrer falta de vontade sexual de uma hora para outra. Afinal, está perdendo também uma esperança de vida. Nesse mesmo pacote emocional, misturam-se ausência de autoconfiança, mágoas e frustrações em decorrência de um relacionamento que perdeu a vibração e foi envolvido pela rotina e acomodação.
Caso as discussões persistam, a qualidade do relacionamento afetivo se deteriora tão rapidamente que o entusiasmo e interesse sexual desaparecem. Nesse estágio de incertezas, a redução da atividade sensual e erótica é inevitável. O casal precisa conversar francamente. Se os dois entendem que essa é uma fase passageira, podem superar o conflito de maneira positiva.
Outro problema que pode afetar a vida sexual, além da demissão repentina e discórdia conjugal, é a perda de um ente querido ou a doença de algum familiar. Situações como essas causam dor, sofrimento, desgaste, angústia. O processo de cicatrização é lento e gradativo; até que o emocional se restaure é preciso ter paciência, e o papel do parceiro é fundamental. Deve compreender a dificuldade do momento, dando atenção e apoio constantes para superar o problema. Com franqueza, sinceridade e amizade, o relacionamento pode voltar a ficar bom em todos os sentidos, inclusive no campo sexual.
DR. MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e autor do livro ''Sexualidade na adolescência''


