A pequena margem para contestação
O título deste escrito sintetiza um certo estado de ditadura que se vive no Brasil, onde contestar os poderes institucionais mais altos é um ato de baixo resultado e, ademais, arriscado. Na revelação sobre os elevados gastos do Poder Judiciário um levantamento nacional do Sistema Integrado de Administração Financeira está escrito: A margem para contestação é pequena. Porque esse poder tem independência para aumentar pessoal e salários, uma prerrogativa implantada na Constituição. E poucos ousam tocar nessa questão. Numa nação que se proclama democrática apenas porque tem o direito de votar e de certas liberdades de expressão, orais e escritas, impera uma ditadura dos Poderes contra a qual é quase inútil insurgir-se. Ao menos com o frágil poder de ânimo e mobilização dos brasileiros na atualidade, o que caracteriza ausência de ideal patriótico. Como estancar a sangria tributária que o Governo impõe arbitrariamente sobre empresas, instituições e cidadãos? Como impedir o assalto, em forma de juros extorsivos, que instituições financeiras cometem, e com respaldo do Governo? Como colocar um fim na farra governamental com gastos abusivos, superfaturamento e corrupção no geral? Como dar um basta em abusos revestidos de legalidade como o pedágio? Como fazer valer uma simples contestação à multa aplicada pelo guarda de trânsito da esquina? Todos estes são atos de ditadura, que persistem e triunfam, porque repita-se a margem de poder da contestação é estreita. E assim os pequenos espelham-se nos mais graúdos e o mal se dissemina. Não pode ser democrática uma nação em que o poder público tem tanta força desagregadora, a ponto de quase aniquilar a cadeia produtiva pela pesada carga de impostos que ajudam no sustento das orgias oficiais; de minar esperanças e de gerar o nocivo mal à saúde social representado pela indignação dos cidadãos e pela sensação que têm de impotência. O desejo de levantar-se contra esse estado de coisas é um potencial que pulsa, latente, no peito de cada brasileiro, mas falta-lhe o espírito de organização e impera o temor, porque o povo foi cedendo e permitindo que a tirania dos aparentemente mais fortes triunfasse. Por isso todo esse arbítrio, estribado até em permissividades legais, criadas dentro do próprio reduto. O Brasil tem Governo demais, não no sentido de eficiência substancial mas do excesso. Os governantes falam com arrogância, desde o supremo mandatário da República até o presidente de uma câmara municipal, e de roldão eles induzem ao mesmo comportamento os chefes das repartições públicos e os seus comandados. Só votar e eleger os melhores dentre os piores, resolve pouco. Será preciso a sociedade organizar-se e demolir esses alicerces de arbítrio e de corrupção, para salvar o que resta da sanidade das instituições e implantar a verdadeira democracia social, política e econômica e não o arremedo que aí está e que é uma democracia não inteira, porque minada por poderosos institutos ditatoriais.





