A derrubada da Lei Ficha Limpa para as eleições de 2010 pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) é um golpe nos que lutam pela moralidade e até legalidade das disputas eleitorais.
A proposta - aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela Presidência da República - nasceu de um abaixo-assinado que continha nada menos do que 2,5 milhões de assinaturas. São 2,5 milhões de eleitores que pediram providências para evitar que pessoas condenadas em segunda instância - ou seja, que já tiveram a chance de se defender de acusações de crimes graves, como corrupção, abuso de poder econômico, homicídio e tráfico de drogas - passassem a integrar governos e casas legislativas por todo o País.
Mas não foi esse o entendimento de seis dos 11 ministros. Por uma diferença de apenas um voto, a proposta saneadora não será aplicada no pleito que escolheu deputados estaduais, distritais e federais, além de senadores, governadores e presidente, recaindo somente a partir de 2012, quando serão eleitos vereadores e prefeitos.
A questão é: se não há dúvidas sobre a importância da lei que tenta ''peneirar'' a massa de políticos, por que deixar para depois?
Argumentam os mais legalistas que a lei somente se aplicaria se aprovada um ano antes das eleições. Quer dizer que podemos conviver por mais um mandato com políticos condenados por crimes graves. A que preço? E não adianta jogar a culpa no eleitor que teria assegurado a esses políticos cadeiras nos legislativos enquanto não tivermos políticas públicas capazes de conscientizar sobre o poder do voto.
Mais uma vez, a sociedade vê escapar por entre os dedos uma tentativa de moralização da política, já tão desgastada. E mais golpes virão se não ficarmos atentos e mobilizados para tentar colocar um pouco de luz sobre esse mar de frustração que a política e os políticos nos têm proporcionado.

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