A paz e a juventude
Neste início de século, a humanidade experimentou diversas oportunidades para refletir e crescer na direção do seu chamado. Chamado que não pode se conformar com a existência dos imensos bolsões de fome, pobreza e marginalidade cultural, da violência e da morte. Cabe à humanidade a honrosa tarefa de fazer com que, ao século das lágrimas, suceda um céu de paz e tranquilidade um século de pnmavera do espírito humano (João Paulo II). Ansiosamente, aguardamos novos tempos, tempos em que os desertos se transformarão em florestas verdejantes, e o braço da justiça tome assento na assembléia dos governantes para dirigi-los nos caminhos da segurança e da tranqilidade duradoura (cf. lis 32. 15-17).
As possibilidades de paz e bem-estar para o ser humano são imensas, embora nem sempre conhecidas ao mundo dos famintos. O mesmo acontece com a medicina, higiene e educação. Também há contingentes de perseguidos e deslocados por causa das guerras e regimes políticos hostis à liberdade e ao exercício da cidadania. Para que o século XXI venha se transformar em primavera humana ou num tempo em que a justiça participe de nossas assembléias, necessárias se fazem mais disponibilidade e mais espírito de gratuidade e tolerância da parte de quem foi abençoado com os dons da terra, com o dom da liberdade, da cultura e demais bens humanos.
Por outro lado, problemas éticos, surgidos entre os que se benefciam com a globalização econômica e os que dela são excluídos, exigem soluções novas e criativas, da parte da comunidade internacional. No entanto, isto se dará se a revolução da liberdade for completada com a revolução de oportunidades. Revolução que deverá trazer em seu bojo facilidades que verdadeiramente oportunizem aos membros menos privilegiados da família humana uma existência mais digna, desenvolvimento participativo e universal, aberto a todos os povos e nações
Mas os bons efeitos dessa revolução de oportunidades de nada servirão, se não forem acompanhados do respeito á vida humana - inclusive da dos nascituros. Importa reforçar a noção de moral da vida com as armas da justiça e a couraça da fé (2Cor 6,7; 1Ts 5, 8), para que o respeito à sacralidade da vida supere a imposição dos tribunais humanos. Sem essas garantias, nenhuma sociedade se manterá livre e forte, solidária e progressista.
Na trilha deste pensamento, cabe um olhar especial para a juventude dos nossos dias. Os jovens não são um capítulo à parte, nem apêndice de corpo social humano. Eles são a sementeira do futuro, o alicerce sobre o qual repousará o futuro da humanidade. Eles requerem cuidados urgentes, educação esmerada, formação que os afaste do cinismo consumista da indiferença e da incúria que envolve a tantos espíritos tacanhos.
Nenhum jovem atingirá a necessária maturidade moral, cívica e espiritual, se a sociedade de hoje lhe negar o exercício oportuno para o aprendizado da cidadania. O jovem necessita deste exercício para ser artífice de uma nova humanidade em que todos, membros de uma mesma família, possam viver em paz (Mensagem para o Dia Mundial da Paz/2001). Para este exercício, muito têm contribuído As Jornadas Mundiais da Juventude, criadas pelo Papa João Paulo II. Jornadas que marcaram profundamente os jovens. Elas visam despertar o espírito de união e convidam à participação, à comunhão fraterna e responsabilidade coletiva.
O acontecimento mais importante do Ano Santo de 2000 foi A Jornada Mundial da Juventude, em Roma. Durante esta jornada, 2,5 milhões jovens desflaram pela Cidade Eterna, em busca da Porta Santa e de outros monumentos religiosos. Naqueles dias memoráveis, a Prefeitura de Roma recolheu 500 mil toneladas de lixo e não constatou qualquer sinal da presença de bebidas alcoólicas, seringas injetáveis e outras drogas.
Sem dúvida, esta foi uma surpresa agradável e digna de registro. Ao mesmo tempo, serve como desmentido frontal aos que julgam a juventude pelo lado da droga, da superfcialidade e da irresponsabilidade. Oxalá, possa repetir-se o mesmo gesto em 2002, quando os jovens, a pedido do Papa, estiverem reunidos em Toronto, no Canadá, para a 16ª a Jornada Mundial da Juventude.
VENDELINO ESTANISLAU ê filósofo e teólogo em Curitiba





