A paz começando em cada um
Por si mesmas, as campanhas anuais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não produzem resultados se não forem efetivadas na prática pelas pessoas. De qualquer modo esse movimento anual da Igreja Católica, pelas causas da emancipação do indivíduo, é de grande relevância, porque contribuem para o despertamento de consciências e mantém viva a chama dos ideais de solidariedade, tão necessários nestes tempos atribulados. O tema deste ano é a paz ''Felizes os que Promovem a Paz'' patrocinado por sete igrejas cristãs. O ecumenismo da campanha já é um sinal de harmonia entre igrejas e religiões, que ao longo da história foram protagonistas de conflitos entre si e que, em alguns pontos do mundo, ainda ocorrem. A escolha da paz como tema de 2005 é mais que oportuna, porque, independente de crenças religiosas, a convivência pacífica entre os povos é anseio comum. A paz é alcançável e depende, individualmente, de cada cidadão, em todas as grandes metrópoles, nas cidadelas e nos mais recônditos lugares deste planeta de 6 bilhões e 300 milhões de habitantes. Buscar a paz não é, portanto, uma atribuição apenas de organismos como as Nações Unidas, de nações regentes do mundo como, destacadamente, os Estados Unidos amante de guerras e de dominação mas dever de cada pessoa. A paz deve ter início na sala de estar de cada lar, nos escritórios, nas fábricas, na esfera governamental, nas ruas, no coração e mente de cada ser humano. As grandes guerras de campanha são deflagradas depois que elas se sedimentaram na mente de cada pessoa, até formar um corpo de massa e irradiar-se, encontrando ressonância nos governos afins e a razão fundamental é, no mais dos casos, a mesma: o poder econômico, ativador das ambições de domínio. Também guerras religiosas destroçaram agrupamentos sociais e nações, lançando irmãos contra irmãos. A paz deve ser uma vontade individual, um policiamento permanente de cada um sobre seus atos do dia-a-dia. A serenidade, a mudez, a impulsão para o não-revide em certos momentos, são atitudes de paz. Certas palavras, em hora inadequada, podem ser fatais, assim como o silêncio quando uma boa palavra deveria ressoar. Parodiando célebre frase, pode-se afirmar que o preço da paz é a eterna vigilância, e isto significa cada qual vigiar sua própria conduta. O anseio de paz não deve apenas apontar para as salas de grandes decisões, mas começar por atitudes pessoais, que podem representar a boca fechada para a maledicência, a busca de acordos e reconciliações, a consciência para a não-exploração de pessoa a pessoa nas relações afetivas, de trabalho e negócios, nas relações humanas em geral. Sem prejuizo do exercício da sábia autoridade quando ela deve prevalecer, dos princípios da responsabilidade e da ordem, o culto à paz pode estar presente em todas as circunstâncias, e naturalmente que isto requer propósito e boa vontade. É, como diz o lema da CNBB e do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, um desejo programado de promover a paz, até que isto se converta em algo natural e espontâneo. A paz não é algo que tenha que ser praticado ''pelos outros'', porque ''os outros'' são cada uma das pessoas. Se a paz se instalar no âmago de cada um e houver o desejo individual de promover a paz, o mundo inteiro será de paz.





