A passarela e por que também os ingleses
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de setembro de 2013
Moacir Norberto Sgarioni 
A Sociedade Rural do Paraná (SRP), por meio de ajustes de condutas com as autoridades de controle dos eventos e de trânsito de Londrina, solicitou do governo do Estado em junho de 2010 e do governador Beto Richa, em ofício datado de 14 de janeiro de 2013, a construção de uma passarela na transposição da BR- 369, em frente ao Parque Ney Braga. A diretoria da SRP não entrou no mérito do projeto técnico e arquitetônico da passarela, elaborado pela Econorte, como por exemplo: localização, capacidade de fluxo, modelo. Posteriormente, sugerimos que poderia ser um modelo portal, valorizando uma das entradas de Londrina, a exemplo da passarela localizada no Parque Barigui em Curitiba.
No dia 4 de abril de 2013, na abertura da Expolondrina o governador Beto Richa, nos surpreendeu, prometendo em seu discurso fazer a passarela, o que desde já somos eternamente gratos, e mais surpresos ainda ficamos quando conhecemos o projeto com os quatro pilares de sustentação lembrando o Big Ben de Londres, homenagem aos nossos colonizadores.
Recentemente, para nossa surpresa, surgiu a polêmica nos meios de comunicação, com opiniões contrárias ao projeto, que remete a Londres as homenagens do portal, questionando o mérito dos colonizadores ingleses.
Exercendo a democracia, respeitamos as diversas opiniões, mas nos orgulhamos da contribuição que os ingleses nos trouxeram, em especial, o modelo de Colonização do Norte do Paraná que é reconhecido, no mundo todo, como um dos mais eficientes projetos de reforma agrária. A venda de lotes com 12, 15, 20 e 30 hectares e a boa qualidade das nossas terras foi o que permitiu a maior revolução de desenvolvimento do nosso Estado, credenciando naquela época, nosso aeroporto como o terceiro mais movimentado em pousos e decolagens do Brasil.
Fundaram Londrina, Maringá e Cianorte, a 100 quilômetros uma da outra, esta última cujo nome é em homenagem à própria Companhia de Terras Norte do Paraná, sucessora da companhia inglesa Paraná Plantations (entre as três cidades, surgiram outros municípios - só entre Londrina e Maringá são dez).
Foi graças a esse modelo de colonização que muitos pioneiros vieram ao Paraná. Pioneiros de diversas etnias: espanhóis, portugueses, japoneses, árabes, italianos, assim como meus pais, vindos de Bebedouro (SP), entrando por Sertanópolis, 70 anos atrás, como porcenteiros de cafeicultores, e hoje, após muitos anos de lutas e muito trabalho nos tornamos proprietários rurais, agricultores e pecuaristas. Londrina, seus pioneiros e seu povo sempre preservaram sua história. Basta ler os relatos dos nossos escritores.
Nas obras do Parque Ney Braga, historicamente, sempre homenageamos familiares de pioneiros como o próprio Willie Davids. Londrina possui construções remetendo ao estilo europeu que já fazem parte do nosso patrimônio histórico. Praças como a que homenageiam os japoneses (Nishinomiya e Tomi Nakagawa); Parque Arthur Thomas. Tudo isso é reconhecer e respeitar os valores da nossa gente, daqueles que constituíram nossa história. É dever, é cidadania.
As autoridades, as lideranças e os intelectuais de Londrina, nossa "Pequena Londres", têm por herança o dever de pensar como os nossos colonizadores e pioneiros que foram altamente produtivos e nos ofereceram um modelo de colonização, exemplo de desenvolvimento. Colocaram o nosso Estado e a nossa cidade em destaque nacional.
Eu me orgulho de ser brasileiro, paranaense e por poder morar em Londrina. Não devemos dificultar o desenvolvimento. Nossa cidade tem sofrido algumas grandes perdas por perniciosidades e desvios de foco, responsáveis por obras que não decolaram. Devemos, sim, juntar nossos esforços para ajudar a trazer de volta o pleno desenvolvimento e o progresso que Londrina tanto merece.
Londrina, uma cidade de todos!


