Graças ao sistema de urna eletrônica os brasileiros puderam conhecer já ontem o resultado do primeiro turno das eleições, que revelaram prefeitos eleitos e definiram aqueles que ficaram para o segundo turno o que ocorrerá dia 31 deste mês. Na maioria dos municípios também foi possível conhecer os novos vereadores, enquanto em outros só hoje se saberá como serão formadas as novas câmaras municipais. A tecnologia para os pleitos eleitorais, no Brasil, chegou mais cedo que a conscientização plena de candidatos, de grande contingente de eleitores e de certos partidos políticos, esta uma conquista ainda por alcançar. Mas ao menos a campanha e o cumprimento cívico do dia de ontem transcorreram no geral tranquilos, afora algumas infringências da legislação eleitoral. Hoje uma nova campanha se inicia, apenas para prefeito, nos municípios onde o candidato mais votado não alcançou os 50% mais 1 dos votos válidos necessários. Agora tudo será diferente, porque serão apenas dois disputantes em cada município, e quem, no primeiro turno, não votou nem em um e nem em outro, terá agora de fazer um novo exame de consciência e uma nova opção. Os candidatos derrotados poderão assumir posições, em favor deste ou daquele ou manter neutralidade, mas os eleitores que lhes deram o voto terão de fazer outra escolha, e é isto que torna o segundo turno mais intenso. O eleitorado que não levou seu candidato ao segundo turno não tem mais, com ele, um compromisso, e poderá não segui-lo em favor daquele que, eventualmente, ele venha a apoiar. Doravante esses eleitores, em sua maioria, convertem-se em indecisos, não sendo verdadeiro que um candidato derrotado leve de arrastão os seus partidários e simpatizantes a votar em quem ele indicar. Candidatos do segundo turno que apostam nisso podem se dar mal, sendo prudente a busca de conquistar cada um desses votantes, porque a nova cruzada que se inicia hoje muda o perfil da eleição. Os projetos de governo deverão ser mantidos pelos disputantes, na propaganda de campanha, mas eles poderão aproveitar também propostas daqueles que ficaram fora do páreo e assim adicionar ganhos de voto. O Brasil ainda viverá 28 dias de campanha, com a presença dos candidatos nos horários gratuitos do rádio e da televisão, nos municípios onde esses veículos de comunicação existem, e nos outros a campanha continuará nos moldes mais tradicionais. Sem a presença dos candidatos a vereador, a corrida eleitoral agora afunila-se e será mais enxuta, ganhando intensidade e despertando muito mais interesse que o turno inicial.

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