A Opep globalizada
Nos tempos atuais, vivemos a realidade do fim de ideologias opostas definidas, que se renderam a um mundo unipolar tendo os EUA como única potência mundial, reafirmando sua hegemonia impondo ao mundo a ideologia neoliberal e a globalização como forma de internacionalizar as economias dentro de uma ótica favorável a esta potência. Se no resto do mundo, os países agirem individualmente, os grandes desníveis sociais e econômicos tendem a se intensificar, levando o país mais rico do mundo a ficar cada vez mais rico, o segundo mundo virará terceiro, o terceiro virará quarto e assim por diante.
A Organização Mundial de Comércio (OMC), o Banco Mundial e o FMI são organismos internacionais que respaldam a globalização neoliberal, impulsionando-a e impondo ao resto do mundo seus ideais sob pena dos países rebeldes ficarem à margem do mundo em movimento. Surgem, e é bom que seja assim, movimentos internos no seio das sociedades contestando a ideologia global única, de forma espontânea, mas devem os Estados, através de coalizões, organizarem instituições divergentes do status quo global. A Opep é uma potência, um agrupamento de países que têm o poder de definir o preço do petróleo no mundo, impondo aos países exportadores algum tipo de duelo no sentido de reverter a tendência de alta.
A globalização da Opep, seu fortalecimento, é muito importante para os países exportadores, pois são, em sua maioria, absolutamente pobres socialmente. Não recrimino o presidente venezuelano, Hugo Cháves quando vai a Bagdá conversar com Sadam Hussein, ambos os países devem formar coalizões em torno de seus interesses particulares, cada país deve analisar suas carências e tirar proveito da melhor forma possível de suas potencialidades.
Neste contexto, a Opep está legitimada a impor ao mundo o preço do petróleo acima de U$ 35. Clinton, presidente do EUA, declara que o preço do petróleo pode afetar a economia dos norte-americanos, e até já acena com a possibilidade de uma nova guerra no Golfo, para impor aos países o aumento da produção; devem os membros da Opep incluir uma cláusula de guerra na organização do tipo: qualquer país da organização que for atacado por outro com fundamento no interesse petrolífero declara guerra a todos os países membros da organização.
Em toda parte do mundo seus membros ficariam incumbidos de atrair seus vizinhos a contraporem-se ao país belicoso. Muitos podem estar imaginando que estou incentivando a guerra, mas é exatamente o oposto. Sou totalmente contrário a qualquer tipo de guerra armada. Então, o fortalecimento de um grupo de países com estratégia militar comum tem o poder de dissuadir qualquer tipo de intervenção nestes países, desta forma, impede-se a guerra.
O petróleo é deles, o Brasil que procure desenvolver energia alternativa, como o Proalcool, dentre outras, para defender-se desta nova organização globalizada Opep, mas deve ir além e liderar, por exemplo, uma organização dos países pobres e devedores (OPPD). A dívida externa dos países do globo deve ser negociada de forma conjunta o mundo globaliza-se, os protestos estão tornando-se globais, as organizações internacionais agem mundialmente, que o pensamento também não tenham fronteiras, que surjam dos lugares mais remotos do globo pessoas que têm o poder de mesmo que minimamente, interferir e tirar o sono dos líderes dos países ricos do globo.
Devem estes líderes saber que apesar do reinado hegemônico de concentração de riqueza, surgirão formas alternativas para contestá-lo, pois os pobres não podem ser escravos e torturados com o agravamento da pobreza e transferir toda sua mínima riqueza às potências mundiais médias, e à única potência mundial. Será que algum líder de um país endividado terá a coragem de Hugo Cháves (que globalizou a Opep nestes meses) de iniciar um processo global, multilateral, para que as dívidas externas sejam debatidas? Neste mundo unipolar, só coalizões de países podem ter voz, seja defendendo o interesse que for.
- FERNANDO MARREY FERREIRA é advogado e especializado em Jornalismo Internacional em São Paulo
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