Uma boa descoberta, resultante de sondagem deste Jornal junto aos partidos políticos em Londrina, é que há mais pré-candidatos novos (que nunca disputaram mandatos eletivos) do que antigos, na eleição para deputado estadual. Eles representam quase 70% dos postulantes, que se apresentarão às convenções partidárias no correr deste mês. Para a Câmara Federal ocorre um empate, o que é também um expressivo índice de potenciais estreantes. Esta boa tendência é uma opção dos partidos, que apesar do seus comandos mais rançosos pendem para a renovação. O eleitorado, em princípio já que não conhece ainda a lista dos novos também aplaude, embora tenha de deparar-se, inclusive, com velhos figurantes de difícil digestão porque envolvidos em pesadas acusações de corrupção e execrados pela opinião pública. Gente nova em política não é garantia de sanidade do sistema, mas ao menos uma esperança. Como não há forma mais democrática de escolha senão a do voto popular, o indicativo da entrada dos novatos acena com possibilidades de que algo melhore. Porque a população já está cansada de conhecidas figuras, que, não bastassem o deplorável desempenho e a má conduta, ainda invadem os lares por via da televisão. O que deveria ser, por esse caminho virtual, uma agradável visita de quem se apresentasse para bem representar os cidadãos nos centros do poder, converte-se numa incômoda e enfadonha presença. Quando o horário político é anunciado, o telespectador ainda pode desligar a TV ou 'tirar as crianças da sala', mas ocorre que os candidatos chegam também de repente, em propagandas avulsas. A eleição de outubro será uma boa oportunidade para, no mínimo, ''deseleger'' os imprestáveis e com validade vencida, e devotar alguma confiança nos novos que irão despontar. Mas é preciso sempre repetir que apenas votar não é suficiente, porque a presença do eleitor deve ser contínua, em forma de policiamento e cobrança não apenas sobre quem ele guindou ao poder, mas sobre todos os eleitos. É preciso fazer carga pesada, sem trégua, durante todo o tempo do mandato. O que os partidos não fazem porque não cobram produtividade dos seus membros no poder os cidadãos devem fazer, organizando-se em facções de eficiente estratégia de ação, para cobrar resultados e também aplaudir bons desempenhos. O exercício da cidadania e da democracia se opera dessa forma e não apenas pelo comparecimento às urnas. Porque este comportamento de ausência e indiferença, depois da eleição, é que acomoda os políticos, que passam a não temer e nem respeitar os cidadãos.

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